segunda-feira, 12 de novembro de 2012



Não serve de nada meter o rabo entre as pernas ou calçar uns ténis para fugir mais rápido por qualquer atalho, com o fim e o propósito fixo de fugir de um amor.
É uma ilusão o caminho que se tenta construir na fuga do amor. É uma armadilha. É um trapézio sem rede. Desemboca-se em ruas sem saída ou de trânsito proibido. Mergulha-se numa piscina sem água. Nada-se numa área da praia, cheia de ouriços. Calça-se sapatos que magoam os pés. Frequenta-se sitios cheios de gente, sem graça nenhuma. Descobre-se a imensa solidão na festa que deveria ser a mais hilariante. Entra-se num túnel vazio e sem luz que parece não ter fim. O coração definha como as flores sem água e sol. A alma dá gritinhos de incompreendida e soluça de solidão. Enfrasca-se a tristeza em soluções alcoólicas e de fazer passar o tempo, como se a conseguissemos enganar.

Todas as pessoas que tenho visto optarem por esse caminho, estatelam-se ao comprido e irremediavelmente acabam por reconhecer que se descobriram como aranholas de cabeça encabrestada, tolas, sem saber o que fazer.

A cabeça julga que pode mais que o amor e no príncipio ilude as pessoas que por qualquer razão, sentem que precisam de fugir de um amor: por medo de serem magoadas ou por já terem sido e já não confiarem. No entanto, quando o amor é contrariado, leva à loucura a própria cabeça que se julgava superior. 

Não vale a pena querer estancar o amor. Quanto mais força se faz para esquecer alguém, mais nítida é a gravura que fica dela na nossa memória.

segunda-feira, 22 de outubro de 2012


Sofrer por antecipação é um estado supremo de aflição. É um desgaste duplicado. É estar permanentemente com dor de barriga à espera de ter vontade de ir à casa de banho. Mas nem a vontade chega nem a dor passa. O sofrimento ocorre duas vezes: na antevisão das catástrofes que se imaginam e mais tarde, se elas vierem a ocorrer.
Há coisas que são inevitáveis e outras que podem nunca chegar a acontecer.

O que se ganha então em sofrer por antecipação? Muitíssimas coisas! Ganha-se ataques de nervos permanentes. Noites mal dormidas. Irritações desnecessárias. Úlceras no estômago. Desenvolve-se hipertensões nervosas; ou então, ainda melhor...batimentos cardíacos acelerados, de tal forma que se chega a sentir o coração prestes, prestes a rebentar para fora do peito! Só que mais uma vez, não chega a rebentar e sofre-se com o medo da eventualidade!

Ganha-se momentos de asfixia constante, em que o ar (que ainda é de graça!), parece ser rejeitado pelos próprios pulmões que, juntamente com a desregulação rítmica do coração, não absorvem o ar. Uma pessoa fica em êxtase invertido: sem ar e com a consciência de que a continuar assim - não aguenta muito tempo - porque entretanto sofre um colapso! Estão a ver a ideia? Numa primeira fase, fica-se rosa de falta de ar e a seguir roxo, roxo, à medida que os olhos se esbugalham sem oxigénio...acrescentem a esta pintura triste, uns cabelos eriçados e eclipsados com a perspectiva do que está prestes, prestes a acontecer, nos breves segundos seguintes... Uff, é melhor parar por aqui, não é? Imagino que já não interesse a ninguém a descrição de como tudo isto pode terminar! Não aguento: expressão pálida e sem vida, língua de fora, estatelado no chão, uma maca a surgir, bomba de oxigénio...Pânico!

Para quem ainda tem dúvidas de que vale a pena sofrer por antecipação, a lista de estatuetas a ganhar ainda está longe de ter chegado ao fim!  Ganha-se queda fulminante de cabelo; as rugas ganham saliência no nosso rosto e zombam connosco de  língua de fora; as olheiras tornam-se reluzentes; e a seguir, ganha-se idas convulsivas às farmácias e às perfumarias para comprar os pequenos milagres em cremes que prometem disfarçar todo o desgaste obtido!

Como se ainda não bastasse, começa-se também a ser cliente assíduo de uma panóplia de médicos de diversas especialidades a quem se possa socorrer. Porque entretanto, um sofredor por antecipação avança do estado de hipocondria  para doente real de todas as maleitas que anteriormente imaginou: dermatologia, cardiologia, psiquiatria, urologia, cirurgia vascular, ortopedia, etc.....e tudo porcausa das fezes antecipadas sobre tudo.
A vida ganha mesmo um novo sentido!

Solução: goste de si, não sofra por antecipação! Recomendação de amigo.

domingo, 16 de setembro de 2012


Os amigos são os nossos amores - quando estamos sem Amor! São almofadas para encostar a cabeça, ler e descansar. São injecções de adrenalina que nos espevitam e nos fazem acordar nem que seja à custa de um arremetão ou até de uma bofetada. “Mas estás maluco? O que é que estás para aí a dizer? Assenta os pés na terra.”

Os amigos são também os nossos vampiros e algo sanguessugas também! Há certos dias que precisam muito da nossa atenção e são eles que nos ligam para descarregar frustrações, tristezas, para se revoltarem, queixarem e pedirem conselhos. Aí, sugam-nos as nossas energias e a nossa boa-vontade. Claro é, no bom sentido. Os amigos servem também para isso, para nos sugar. Porque dar não custa, quando o fazemos por gosto. Porque os nossos amigos mereçem e a dedicação que lhes devemos é sempre infinita. Ou deveria ser.

No fundo, em vez de dar, prefiro antes dizer, que entre verdadeiros amigos, há uma espécie de simbiose gratuita, uma entrega sem obrigações, sem marcação na agenda, uma troca de favores expontânea. Toca a sirene, é preciso estar lá e pronto. O contrário, já aconteceu também muitas vezes - sabemos.

Os amigos são uma espécie de serviço de cozinha para todas as ocasiões. Uma delas é serem usados como sacos de boxe! Quantas vezes ensaiamos na sua frente discursos sindicalistas para serem ditos ao chefe? Ou discursos lamechas que não temos coragem de dizer a mais ninguém? E aqueles disparates que nos saiem da boca e que mais ninguém compreenderia e muito menos, acharia piada? E os ensaios são intermináveis sobre tudo e sobre nada, ao telefone ou à mesa de um restaurante. Quem mais teria tanta paciência para nos aturar quando estamos chatos, rezingões e extremamente aborrecidos, senão os nossos amigos?

Penso que em vez de amigos, se lhes chamássemos poços fundos, não seria mal dito. Claro que nem todos os amigos, são poços fechados. Há sempre uns que têm uma certa dificuldade em guardar segredos, mas quando é preciso desabafar, são sempre poços fundos, invariavelmente!

Os amigos são peças fabricadas à mão e feitas por medida, como as bonecas de trapo que antigamente se faziam ou os bonecos de madeira dos carpinteiros. Não há um igual. Uns mais culturais, acompanham-nos nas idas aos museus, ao cinema, ao teatro, a concertos. Outros mais gastronómicos, palmilham a nosso lado os manjares de todos os novos restaurantes. Há os que preferem receber em casa e cozinhar para os amigos, são os amigos hospitaleiros. Há os que organizam festas por tudo e por nada e sabem de todas - mesmo das que ainda estão no segredo dos Deuses. Há os desportistas na verdadeira aceção da palavra e nos fazem levantar cedo para fazer maratonas, tracking, vela, surf ou simplesmente, ir a uma aula de localizada. E há os desportistas que levam a vida a relaxar e nos inspiram a meditar no meio da praia ao pôr-do-sol, a fazer pic-nics aos fins-de-semana e inventam actividades que nem pela cabeça do menino jesus já passaram. São os amigos Carpe-diem por eleição e quando estamos com eles, nos sentimos a levitar. 

Os amigos não são de longe as nossas almas siamesas! O melhor mesmo é que até sejam muito diferentes de nós. Não substituem nenhum amor, mas são uma espécie de paixão sem necessidade de arder. Não é preciso estarmos com eles todos os dias para lhes provar o nosso amor. 

Há amigos que nos acompanham uma vida inteira. Não falo mais do que três ou quatro. Os que estão sempre connosco, mesmo à distância. Aparecem e desaparecem conforme lhes dá jeito e a nós também. Estão mais próximos numas fases que noutras. Mas quando olhamos para trás, já estão connosco há uma eternidade de anos. Conseguem ser pela vida fora a paixão que se transforma em amor e que na prática se traduz em carinho, compreensão, dedicação, companhia. Isto é, estejam onde estiverem, acabam sempre por aparecer quando mais precisamos. Parece que transportam uma sirene interior que nos liga a eles. E quando aparecem após um ano de silêncio ou até mais, é inexplicável a empatia que se sente. Recomeça-se a falar como se tivessemos estado juntos na véspera e nos tivessemos despedido com um “até já”.

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Estou de regresso! Para contar novas histórias, para partilhar pensamentos, opiniões, ideias. Para rir e chorar sempre que for preciso e porque é bom emocionarmo-nos. É sinal que estamos vivos! 
Estou de regresso de umas férias inacabadas.Aliás, mesmo as que não são interrompidas, sabem sempre a pouco e nunca fazemos tudo o que inicialmente pensamos.

Estou de regresso porque como uma amiga me disse: “Tens leitores e gostamos do que escreves!”. Estou de regresso porque não quero desistir de escrever aquilo que me vai acontecendo diariamente e porque os silêncios encerram dias sem alma e é importante marcar todos os dias com algo que nos faça ter mais vontade de viver. E mesmo que não passem de meia dúzia de linhas, muitas vezes escritas à pressa, entre um afazer e um intervalo de uma reunião, ou até um momento antes de fazer uma apresentação. 

Estou de regresso porque na mesma medida em que é bom partir, também é bom regressar. E cada regresso é sempre diferente. Marca um ínicio. Ou uma continuidade. Mas é sempre algo novo. Como uma nova pele que se veste. Uma nova maquilhagem que se pinta. Um novo vestido que se estreia. Uma nova inspiração.

E ontem celebrei este regresso, dançando comigo mesma, num recanto de uma praia, entre um palácio de rochas, ao fim de um dia, em que o sol majestoso, com a espuma das ondas, refrescava as minhas pernas que davam saltos e reviravoltas, ao som da música que euforicamente saía do I-Pod que não é meu. Mas que ficou comigo porque tem as músicas que eu gosto e porque quem mo deu, não mo quis gentilmente tirar! Obrigada.

E enquanto passeava por aquela praia e olhava aquelas pessoas ao som de músicas que me enchiam a alma de boas energias, fiz as pazes com o pôr-do-sol que havia de chegar dali a duas ou três horas, agradeci a plenitude e a paz que estava a sentir e enchi-me de esperanças por mim e pela minha vida...por mais tortos que sejam, alguns dos caminhos que já trilhei. 

Concentrei-me apenas nas sensações que estava a sentir no momento: na alegria que a música me transmitia, na imensa vontade de cantar e dançar debaixo daquele sol ardente, refrescando-me nas ondas que vinham brincar a meus pés. Bastava-me apenas isso! Estava ali de corpo inteiro. Sem passado e sem futuro. Sem más recordações, sem erros, sem pedidos de desculpa, sem lagrimas, promessas, ou culpas. E decidi que era tempo de regressar. O tempo se existe é hoje. E é apenas isto que posso controlar!

segunda-feira, 30 de julho de 2012


Será possivel o prazer ser suave e em simultâneo ser intenso? 
O prazer é geralmente associado a correntes de alta intensidade. Se me pedissem uma imagem do prazer, a primeira coisa que me vem à cabeça é a vibração involuntária e desconcertante de alguém que acaba de levar um choque eléctrico.  A repercussão de alta voltagem de cima abaixo que percorre todo o corpo! Só que em vez de doer, dá prazer!
O prazer é sempre intenso, mas pode sentir-se suavemente. Pode ser uma caricia. Uma pena que voa levada pela brisa amena. Uma flor de açucena que esvoaça no tempo. Uma pena que acaricia e faz cócegas doces.
O prazer é sempre intenso mesmo quando é suave. Por vezes a delicadeza com que nos percorre ganha uma intensidade maior à distância e já depois do tempo ter passado  a ferro esses momentos....como o cheiro de um perfume a passar por nós na rua, a imagem de duas bocas coladas em comunhão de intenso fervor, a recordação da pele que não esquece, o olhar que se descobre na insensatez da paixão.
O prazer que fica depois do prazer. E se desdobra em memórias de prazer em busca de novos prazeres também.

quarta-feira, 18 de julho de 2012

Os sonsos estão para o mundo como as boas intenções estão para o inferno. Ambos estão a rebentar pelas costuras e cheios deles!
Se há algo que caracteriza os sonsos é estarem sempre repletos de boas intenções, de mão a bater no peito, condoídos pelas dores alheias e de crucifixos em punho de riste. Fazem belos discursos sobre o amor, a paz, a solidariedade. Fazem figas nas costas enquanto juram a pés juntos serem desprendidos dos bens materiais e advogam grandes ideais de construir uma sociedade mais justa, mais equitativa e fraterna. Ouvindo-os, fazem crer que são as pessoas mais leais, verdadeiras, altruístas e desinteressadas. O dinheiro diz-lhes pouco, vendem-se como os melhores amigos dos amigos, dos pedintes e dos mendigos; nas suas palavras, até as carraças  do vizinho se prontificam a alojar em casa, não vão estas morrer de fome! A traição repugna-os, confessam-se incapazes de mentir ou de ludibriar o próximo. 
Enfim, qualquer sonso faz-me pensar numa réplica de Jesus Cristo ou Madre teresa de Calcutá! Pendurada ao contrário - de pés para o ar! 
Toda a gente conhece sonsos. O problema é que muitas vezes só os descobrimos pelos seus actos que são inversamente proporcionais ao gigantesco altruísmo que ostentam!
As suas intenções são sempre boas, as acções dos outros é que os corromperam. Um sonso não mente, floreia a verdade. São infieis porque foram mal amados, usam o dinheiro dos outros porque lhes foi parar às suas mãozinhas imaculadas. Que pena, não serem manetas! 
O que me irrita é que todos os sonsos que conheço dão-se muito bem nesta vida! Não sei se alguma vez irão parar ao inferno que está cheio das suas boas intenções, mas atazanam este mundo, metendo as mãos nos bolsos dos outros enquanto aparentam estar a rezar. Cometem actos de mesquinhez dignos do pior tio Patinhas por cinquenta cêntimos e no final, são até capazes de ir à guerra por umas cuecas rotas a que nem ao pior dos inimigos dão de graça!

terça-feira, 26 de junho de 2012


À minha amiga Juju


O que é que as pessoas felizes têm de diferente dos outros? Já pensaram nisso?
Não é por sorte  ou por acaso que são mais felizes que a maioria do comum dos mortais. Não jogam póquer com a vida. É uma decisão que tomaram. E levam-na à pratica até à última das consequências. Ao mesmo tempo não é uma decisão forçada. É natural. São assim por natureza. Felizes!
As pessoas felizes não carregam fardos ou destinos mal resolvidos. São leves na forma como agem e nos pensamentos que têm. São mais práticos e descomplicam. A maioria das pessoas faz o inverso: inventam problemas e sofrem antes de eles surgirem e continuam a sofrer com eles e não os resolvem. As pessoas felizes não ficam especadas  diante de uma parede sem saída, vão buscar o martelo e a picareta para abrirem um buraco e passam para o outro lado!
São optimistas de carne e osso. E transbordam de pensamentos positivos de dentro da alma e do coração e inundam o mundo com a sua alegria contagiante. Não precisam de programas de desenvolvimento pessoal, escrevem o seu próprio manual de felicidade personalizado às suas necessidades. Por isso é que nos sentimos tão bem junto delas. Não há disfarce ou sacrificio. São genuinamente felizes e satisfeitas.   
São pessoas sonhadoras mas com os pés assentes no chão. Trilham um caminho possivel e mais dois ou três alternativos para prevenirem os percalços e ultrapassar os obstáculos que entretanto vão surgindo. Nunca são apanhados desprevenidos. Sabem como actuar perante as dificuldades. Com calma, perseverança e criatividade. Sabem muito bem o que querem e onde vão chegar. Não dão saltos em trampolins. Dão passos seguros e certeiros.
As pessoas felizes não são necessariamente mais racionais ou até menos emotivas que as restantes, até pelo contrário. Não têm é uma neblina de fumo a ofuscar-lhes a mente e a entorpecer-lhes o pensamento e a construção da vida. Vêem mais claro que os outros. Conseguem vislumbrar o lado bom do que lhes acontece de mal e tiram o máximo proveito e prazer do que lhes está a acontecer de bom no momento. Vivem intensamente o hoje - porque é o presente que podem mudar e tornar mais belo. Sabem conscientemente o poder que o presente tem nas suas vidas e bebem dele sofregamente. Estão com os amigos ou com a familia e aproveitam a companhia deles sem exigirem algo mais para além dessa companhia. Estão a trabalhar e concentram-se em produzir com o máximo de qualidade a tarefa que estão a cumprir. Estão sozinhos e embrenhados em si e descobrem as suas infinitas capacidades no momento. 
Hão-de reparar que as pessoas felizes são até aquelas que mais conseguem dar de si aos outros! Entregar-se aos seus problemas e ajudar quem se aproxima de si com uma intensidade e profundidade que os menos felizes nunca conseguirão atingir. Porque estes, afundam-se nos seus problemas e no seu umbigo pequenino que nunca cortou o cordão umbilical. 
Por isso é que as pessoas felizes têm imensa gente sempre a segui-los para todo o lado e são admirados em toda a parte! Não precisam de ter medo das invejas ou das maldades alheias, possuem um escudo protetor impenetrável. 
Claro que as pessoas felizes também têm os seus momentos de tristeza. A diferença é que não perdem muito tempo com ela nem a alimentam. Sabem que a tristeza existe como um mal que não se pode evitar de vez em quando. Mas não lhe dão a importância que a maioria das outras pessoas lhes dá. Por isso, não ficam presos a ela. A tristeza pertence aos infelizes. - pensam. A mim cabe-me ser feliz!  E continuam o seu trajeto na vida resolutos de cumprir a felicidade que, essa sim, lhes pertence, de alma e corpo inteiro. Por isso é que não se sentem perdidos ou confusos como os outros nem têm medo do amanhã...encontraram o seu sentido para a vida: ser Feliz, sempre!

quinta-feira, 14 de junho de 2012


Quando se ama sem medo, o amor atinge a verdadeira dimensão. Penso que hoje as pessoas amam com uma camisa de forças vestida. Colocam muitas variáveis que impedem que o amor se estique, alargue e se espreguiçe à vontade. 
Sempre que se esconde o que se sente, é o medo a ganhar. Quando não se dá à outra pessoa o espaço e a importância que ela tem, o medo ri às gargalhadas!
O medo faz-nos parecer um burro amedrontado diante de uma pequena ratazana ruidosa e desavergonhada, que rói todos os bons sentimentos que brotam dentro de nós.
domingo, 3 de junho de 2012


Apesar de andar toda a gente mais triste e stressada com toda esta instabilidade e confusão em que nos encontramos, com a Europa a naufragar sem um poder efectivo que a sustente ou sem soluções que nos dêem alguma confiança, a verdade é que ultimamente também descobri o lado positivo de tudo isto que estamos a viver.   
Vejo as pessoas mais próximas umas das outras. Aliás, sinto uma espécie de proximidade e de solidariedade crescente, seja entre colegas, amigos, familiares e conhecidos. Existe a consciência que estamos todos no mesmo barco. Já tinha ouvido dizer que é nos momentos difíceis que a verdadeira essência das pessoas se mostra no seu esplendor, como em tempos de guerra ou revoluções. Mas nunca tinha experiênciado na pele e estou surpreendida. Porque tenho notado que depois das primeiras convulsões em que se começou a falar da crise, em que o medo das pessoas era expresso no dia-a-dia por atitudes mais agressivas e de grande competição. Agora, que estamos realmente em suspenso para o que vai vir por aí, e estamos conscientes de que vai ser numa primeira fase pior, vejo as pessoas mais serenas mas não derrotadas. Cada um de nós, dos que se vão aguentando com emprego e com a sua vida mais ou menos estável - até ver! - começam a ganhar uma perspectiva diferente da vida e até das suas próprias necessidades. Têm atitudes mais solidárias e mais fraternas umas com as outras. Vejo que muita gente baixou a crista. Todos admitem estar vulneráveis mas estão mais fortes. As conversas fúteis são mais raras, as pessoas falam mais do que as preocupa e pedem ajuda. Vejo mais gestos de amizade e companheirismo e até de alguma compreensão extra.
Julgo que chegámos todos à mesma conclusão: que não vale a pena andarmos a zangar-nos uns com os outros ou com má cara e arremetões. Juntos e unidos somos mais fortes. Penso que já compreendemos que vamos todos perder. E vemos ao nosso lado, quem já perdeu tudo. Sentimos que há menos oportunidades e que os tempos que vivemos para além de difíceis, são de extrema mudança e muito rápida. Não há tempo. Mas por isso mesmo, as pessoas estão menos arrogantes e mais humildes. Claro que  há os que continuam na mesma a querer salvar apenas o seu quinhão e preservar o seu quintal de muros altos. Mas esses, são menos e estão sozinhos. 
Penso que o facto de entendermos que somos todos frágeis e vulneráveis e que não podemos controlar o que se está a passar em nosso redor, está-nos a dar uma magnitude para olhar a vida de outra forma.
Secalhar, podem imaginar-me muito idealista ou até demasiado optimista. Mas acredito que depois desta convulsão, a que ainda ninguém sabe bem que nome lhe dar, vamos ficar todos mais humanos!
Acho que já toda a gente entendeu que não é só uma crise, o que estamos a viver. É muito mais abrangente do que isso. É o fim de muitas convicções que nós até agora já julgavamos como certas.  Menos abundância. Questionar o valor do dinheiro. Afinal, ele é virtual! Tem fim. Não cai do céu. Por onde anda?
É o principio de uma nova forma de viver. Precisamos de tudo o que temos? Quais são as nossas necessidades primordiais? A quantidade de lixo que produzimos e o que desperdiçamos. Repensar os valores que incutimos às crianças: como o consumo, possuir uma licenciatura, a competitividade, o dinheiro.
Ninguém sabe o que vai acontecer. Mas todos sabemos que nunca mais voltaremos a ser quem fomos. Acredito em absoluto que o único caminho que podemos seguir se quisermos salvar-nos é redescobrir a nossa Humanidade. E ela passa por olharmos mais pelo próximo. Cuidar e respeitar. 
E sinto uma enorme esperança, porque como disse no inicio deste texto, vejo que as pessoas estão a mudar. E vamos todos sair melhores desta crise! Com menos dinheiro nos bolsos, é verdade...mas mais ricos no interior. 
segunda-feira, 21 de maio de 2012


Ao Ricardo e à Sofia
Ela - Sim, eu sempre acreditei que um dia haveria de te encontrar. Não te conhecia, mas já existias há muito na minha imaginação.
Ele - Quando te encontrei, já duvidava que tu existisses. Confesso que estava tão desiludido, que não te reconheci ao primeiro olhar!
Ela - Nem sempre foi fácil também para mim. Tive os meus receios e as minhas dúvidas antes de te encontrar. A espera é um abismo silencioso que provoca vertigens. E as vertigens, em certos momentos, também me fizeram duvidar que existisses na realidade, para além da minha imaginação.
Ele - Nem sempre estive certo que um dia nos haveríamos de encontrar. E quando nos encontrámos, descobri que já nos tinhamos cruzado decerto pelos mesmos caminhos! Como não te vi logo?
Ela - E não foram só os mesmos caminhos que nos juntaram. Depois da viagem a Zaragoza, tem sido um turbilhão de momentos, de encontros, de fotografias, projetos, amigos e sempre, sempre a nossa paixão pelas viagens!
Ele - É incrível como ainda hoje fico pasmado quando completas as minhas frases e dizes a última sílaba das minhas palavras. Sempre que tens as ideias que eu acabei de ter e o teu sorriso e a tua enorme alegria, me fazem escolher-te todos os dias como a minha musa!
Ela - E hoje, 19 de Maio de 2012, é o nosso dia, amor! Não é o primeiro desde que estamos juntos. Mas é o dia em que derradeiramente celebramos com o mundo que nos importa, a escolha que fizemos de nos unirmos para sempre!
Ele - És tu, sempre foste tu. Antes mesmo de eu saber! E desde que nos encontrámos, o eu e o tu ficou mais forte...deu lugar a NÓS!

domingo, 13 de maio de 2012


Há beijos repenicados, viscosos, secos, sôfregos, sumarentos, frios, encalorados, lentos, rápidos, proibidos, prazeirosos, forçados, roubados, doces, amargos, pegajosos, pegadiços, aguados, sinistros, emotivos, mecânicos, arrastados.
Há tipos de beijos para todas as situações e para todo o tipo de pessoas. São regra geral sinónimo de prazer e pura satisfação. No entanto, nem sempre são utilizados pelos melhores motivos. O beijo de Judas Escariotes é dos exemplos mais conhecidos na História como símbolo de traição. 
Hoje em dia damo-los com a maior naturalidade em todos os sitios e a qualquer altura, praticamente com total liberdade e é comum vermos pessoas a beijarem-se sem tabus na rua, no cinema, na tv. São marca de  paixão e fugosidade. São lema de intensidade e vibração. Mas nem sempre foi assim. O primeiro filme a registar um beijo na história do cinema foi em 1896, ainda no cinema mudo e chama-se “The Kiss”, teve a duração de 2 minutos. O director do Jornal de Chicago na altura considerou o filme “absolutamente repugnante” e até solicitou intervenção policial! Tudo bem que os actores estavam longe de possuirem imagens apelativas...mas coitados, todos têm direito a beijos!
Os Beijos são o ingrediente que está presente em quase todos os relacionamentos da nossa vida! E naqueles em que não está, é porque não são dignos de referência. 
Os beijos dão-se e tiram-se, conforme as vontades. Repetem-se as vezes que se quiser e   há os que nunca se apagam da nossa mente, mesmo que já não se voltem a dar. Ficam na memória do paladar, do tacto e do olfacto...eternizados. 
Os beijos definem os nossos estados emocionais e caracterizam os sentimentos que temos em relação às pessoas. Pela forma como sentimos o beijo, sabemos se estamos apaixonados ou se muito em breve corremos esse risco, de ficarmo presos por um beijo! 
São também utilizados como cumprimento e como estatuto social. São provas de amor, de amizade, carinho e protecção. São mimos expressos em caricias que se dão com os lábios, são palavras não proferidas. São autênticas armas de sedução. O livro do Kamasutra eleva os beijos a uma arte que se aprende e se treina, para se aperfeiçoar!
Os beijos rompem saudades e encurtam distâncias; selam compromissos e assinalam promessas e ventos de mudanças. São o champagne gratuito de quem celebra acontecimentos e o antídoto para o veneno de momentos difíceis. Dão ânimo e força. São pactos de paz. Apaixonados e bem dados, são autênticos foguetes que nos levam à lua! 
Na maioria das vezes associamos os beijos a boas razões, porque não mentimos nos beijos que damos, pelo menos a quem verdadeiramente os damos! 
São uma espécie de cordão umbilical que se extende do nosso coração aos outros...

segunda-feira, 7 de maio de 2012


É estranho fazer 35 anos!  Uma pessoa ainda se sente jovem em muitas coisas, mas já começa a ser velho para outras. É aquele meio-termo que não tem graça nenhuma. Não se cheira a mofo mas já se perdeu a frescura da colónia Ausónia na pele.
Uma pessoa de repente, encontra-se a meio do caminho. Olha para trás e para a frente. Salta de alegria? Dá gargalhadas? Celebra inconscientemente a vida? Dá soluços de arrependimento? É antes boa altura para se fazer uma reflexão sobre o que se quer e para onde se vai. Penso que é natural. E por isso, há duas perguntas que me vieram logo à cabeça tentar responder. A primeira é: realizei os sonhos que imaginava para mim com esta idade? E o que é que eu ainda quero muito realizar?
As duas perguntas têm a mesma resposta. Quero muito escrever um livro e ser mãe!
O primeiro é absoluto, sem reticências. O segundo, confesso que apesar de o desejar, não sei se por ventura conseguirei sê-lo, por falta de coragem.
A escrita é muito egoista. Exige tempo, espaço, dedicação. Não se escreve só por prazer, ainda que o prazer seja a grande motivação para quem escreve! Mas é mais exigente, é qualquer coisa que existe dentro da nossa alma que não se contenta com a vida a passar sem deixar vestígios ou marcas. Escrever é outra forma de parir, com dor!
É um sofrimento ansioso. É uma necessidade que quanto mais se alimenta, mais fome tem. Não se esgota. Por isso é que os grandes escritores, são quase sempre almas sós e incompreendidas. Por sua própria culpa e risco. Tomam essa decisão. Afastam-se. A escrita precisa de silêncio, de dor, afastamento. É a amante insaciável e mais insatisfeita.
Ser mãe é o oposto. É a dádiva, a renúncia ao eu, é o prazer quase sinistro de ficar de mãos vazias, é o desprendimento por si e o amor assolapado pelos filhos que, não se compara a nenhum outro sentimento que já se teve na vida. 
Ser mãe é estar sempre satisfeito com pouca coisa, desde que os filhos estejam de boa-saúde, é o desespero de querer sempre vigiá-los e garantir a qualquer preço que eles estejam bem. É ter perdido tudo e estar-se contente pelos beijos e abraços que se recebe. É querer protegê-los, sem se proteger. É dar, sem pensar em receber. É um amor que tem principio e não encontra fim. É desmedido, é gigantesco. É impossível descrevê-lo sem o sentir.
Ainda assim, é mais fácil escrever do que ser mãe! 
quarta-feira, 2 de maio de 2012


Para quem já nasceu no pós-revolução 25 de Abril de 1974, a Liberdade é um conceito muito vago, inexpressivo e pouco valorizado. Pelo menos aparentemente. Quando hoje  dizemos o que queremos e expressamos o que pensamos e sentimos quase sem tabus!Vamos para todo o lado, sem fronteiras, pelo menos dentro da União Europeia. Eu ainda me lembro do meu pai ter de ir à conservatória para oficializar um salvo-conduto a dar autorização para que eu pudesse ir com os meus avós, ali ao lado da fronteira, a Badajoz, a 18 quilómetros de minha casa, para ir comprar caramelos!
Lembro-me de no regresso estarmos sempre sujeitos a confiscarem-nos o carro e a termos de mostrar tudo aquilo que tinhamos comprado na vizinha Espanha. E certas ocasiões, perto do Natal, em que se exagerava um bocado na quantidade de prendas que lá se compravam, chegávamos a ter de esconder algumas coisas debaixo dos bancos e dar um pacotinho de café ao polícia na fronteira. Eu espero que com este testemunho, a Troíka hoje, não me venha pedir impostos pelas barbies, pelas barriguitas e pelos caramelos não declarados!
Hoje em dia a liberdade que possuímos para tantas coisas na vida, parece inquestionável. Casamo-nos, divorciamo-nos, votamos, criamos blogs, publicamos espontaneamente e sem medo o que nos apetece em jornais, no Facebook, em páginas na Net, gozamos publicamente com os políticos, com os governantes, despropositamos atitudes labregas de personalidades públicas e afins, fazemos declarações públicas de amor e ódio. Então, porque é que nem sempre nos sentimos livres?!?
Porque todos os dias nas nossas vidas, há coisas que simplesmente nos agrilhoam, nos impedem de sermos totalmente aquilo que somos. Porque enquanto membros de uma sociedade somos moldados e pactuamos com regras que moralmente sentimos obrigatórias apesar de não concordarmos com elas e porque para sobreviver temos de adoptar condutas que estão muito longe daquilo com que nos identificamos. Os tabus e os preconceitos continuam a existir. E porque há outros que somos nós mesmos a criá-los!
A liberdade parece não ter importância até ao momento em que por qualquer razão, nos apercebemos que a perdemos ou que corremos esse risco.
A liberdade é invisível enquanto a temos. É a oposição do termo possessão. Mas na prática, só nos sentimos livres quando a possuímos. Estranho, não é? Quando por qualquer razão nos temos de esconder por alguma coisa ou nos vemos forçados a fazer algo contrário ao que queremos, sentimo-nos presos e é aí que tomamos certas decisões por impulso. Para mais tarde, sentirmos a liberdade de as termos tomado. 
E é nesse momento, que nos surge a liberdade diante dos olhos, leve como as nuvens brancas de algodão que intervalam a chuva num céu azul recortado. 
sábado, 28 de abril de 2012


Vamos adiar o nosso amor. – disse-me ela, como se o amor se pudesse adiar. Como se se pudesse embrulhar num pacote e colocá-lo no congelador, para o descongelar na altura certa, quando houver disposição para isso.
Como se o amor se deixasse de sentir quando a gente quer e se pudesse pôr na prateleira e tirá-lo do coração como as pilhas do relógio e voltar a colocá-lo no coração como se faz às baterias dos telemóveis.
Sim, vamos adiar o nosso amor. Como quem desliga a televisão e vai para a cama. Nada mais simples nem mais conveniente.
Gostava de dizer as coisas que ela diz sem pensar. Gostava de sentir as coisas que ela pensa e diz. Gostava de ser matemático. Gostava de poder concordar com ela e adiar o nosso amor. O problema é que não sou matemático nem sou capaz de adiar o amor, como ela diz.
Gostava que tudo fosse mais simples: que não fosse preciso adiar o nosso amor ou fingir adiá-lo. Gostava que não fosse preciso mais nada, senão mesmo nós e o nosso amor.
Vamos adiar o nosso amor para quando pudermos estar juntos. Como se fosse possível adiar o que quer que seja, quanto mais o amor. 
Eu não sei se foram as palavras as traiçoeiras, se foi ela a brincar comigo. Eu não acredito que ela acredite que eu tenha acreditado no que ela disse dessa coisa de adiar o amor. Talvez tenha sido eu a ouvir mal e ela não tenha dito mesmo nada daquilo. Ou talvez até tenha dito mas porque estava nervosa e não conseguisse ver luz nenhuma para nós os dois e ao mesmo tempo o fim, fosse demasiado para o aguentar sozinha com a voz. 
Talvez o adiamento tenha sido o instrumento ideal para exprimir o caos e o sofrimento que estava a viver. Talvez o adiamento carregasse efectivamente uma esperança – a mais pequena e simultaneamente a maior esperança – que o nosso amor provasse através do adiamento o tão grande que ele era, se resistisse a ele. Talvez tenha sido isto que ela tenha querido dizer com o adiar o nosso amor. 
E quem sabe se não será mesmo possível adiar o amor para melhor o viver depois? Quem me diz que essa não será a chave para o amor eterno: adiá-lo nos dias, mantê-lo mais vivo no coração. 

domingo, 22 de abril de 2012


Já faz algum tempo que estou para te escrever ou para escrever alguma coisa sobre ti mas a inspiração não me vem. Não sei por onde hei-de começar. Já ensaiei mil vezes o que poderia dizer-te. Mas penso sempre que não é a maneira certa. As palavras têm-me fugido  para falar de ti.
Vejo-te como se fosse hoje, o primeiro dia em que nos conhecemos. Cabelos louros, grandes, sorriso largo, descontraído. Chamaste-me a atenção porque eras diferente de toda aquela gente que me rodeava e que não me interessava para nada continuar a falar. Aproximei-me de ti por desinteresse pelos restantes. Saiam-te da boca frases irónicas perante toda aquela multidão. Falavas daquele espectáculo como se tivesses chegado atrasada e só viesses assistir por uns momentos - explicaste-me, tinha sido essa a tua primeira intenção e falaste espontaneamente como que deduzindo apenas de me observar, que assim pensavas tu que também fosse comigo. Ficar só por instantes e depois partir, em busca daquilo que me realizava. 
Enganaste-te, acabaste por concluir. Foste ficando, até porque era divertido, porque corria sobre rodas e porque decidiste ir aproveitando enquanto as marés estivessem no teu sentido. Mas aconselhaste-me a não fazer o mesmo, a não me deixar flutuar por engano num lodo que não trazia prazer nenhum para além das aparências. Se gostas de escrever, não deixes nunca de escrever. Senão um dia nunca mais agarras nas palavras. Aqui só embruteces, disseste.
Apesar de teres sido muito próxima comigo naquele dia e eu estar tão faminta de quem fosse verdadeiro comigo, estivemos muito tempo sem nos vermos. Colocaste uma distância que depressa percebi que não iria diminuir. Respeitei. 
Foi já mais tarde que tive oportunidade de te conhecer. Os teus humores e especialmente o teu humor perspicaz, a tua ironia elegante, virtuosa e mordaz. As razões pelas quais te escondias tanto e parecias não te pegar a ninguém, a tua força desmedida perante as tragédias ou as más sortes que iam acontecendo, a tua desdramatização perante as cruzadas e a dramatização de algumas banalidades com que acabávamos por nos rir entre horas ao telefone, com as orelhas já a fumegar e a lingua em treino de alta competição. 
Aprendeste a ser indiferente a muita coisa por defesa e também para poupares energias para aquilo que realmente te faz sentido. És uma leoa que defende a sua familia e o seu território. A maldade dos outros não te intimida nem amedronta. As armadilhas da vida têm-te mostrado que não há nada que não se vença sem ser à custa de suor, teimosia e convicção. És uma pessoa muito exigente, não permites que nada passe em branco e não deixas por dizer aquilo que a voz e a justiça te ditam. Não usas meias palavras. Não inventas nomes, escreves a caneta preta e depois de dito, não apagas. Quer-se goste ou não. És tu. Gostas de quem gostas. Não perdes tempo a fingir. Sabes que não se agrada a toda a gente e tu só agradas a quem realmente te mostras, na tua sensibilidade, na tua emoção e nas qualidades que fazem de ti uma mulher acima das outras.
Amas ou odeias. Conheces pouco o meio termo. Se escolhesse uma música para te definir, seria o Fado. Pela gravidade com que falas das coisas que te empolgam a alma e pela ironia que te é própria ver em tudo, puxando gargalhadas sobre os ridículos que a vida tem e chamando as lágrimas pela forma apaixonada com que sentes aquilo que vives.
Manténs intacta a tua privacidade e fechas de muros aquilo que és e os que são teus. Escolhes selectivamente para quem te abres em flor. E um dia, quando escolheste, abriste-te por completo e foste para sempre feliz, num amor que será maior que as vossas vidas juntas e que tem vencido intocável, todas as provas que à maior parte dos amores terrenos teriam feito despojar-se pelo chão. O vosso não, está cada vez mais altivo. Nada ou ninguém vos poderá alcançar.
Por isso escrevo-te porque sei que não precisas de quem chore. Escrevo, apesar de não conseguir transmitir a força que tu inalas, a coragem que respiras, a certeza de que tudo há-de acabar por se resolver e que aquilo pelo que passas, não é mais que um sopro de falta de ar que a tua determinação há-de conseguir transformar numa nova Vida!
Celebro a ti...ao poema que ainda não escreveste, às rimas que estás por inventar, ao fado que ainda não ouviste, às flores que hás-de plantar um dia, às fotografias que hás-de tirar, aos sorrisos que estão por nascer dos teus lábios, ao brilho dos olhos dos teus filhos e às gargalhadas que ecoam do alto teu coração!

quarta-feira, 11 de abril de 2012


Têm-me pedido que escreva novas aventuras felizes e com humor, que se passem na minha vida ou na vida dos que me rodeiam. Anda tudo necessitado de rir às gargalhadas! 
Hoje passei o dia a matutar e nada. Apesar de ser uma pessoa a quem facilmente acontecem coisas hilariantes - nem que seja pela minha forma de ser - que começo a suspeitar, vir a ter jeito para o stand-up comedy (quem sabe, um dia destes?). Mesmo assim não é fácil.
Até que de repente me lembrei de um grande amigo a quem aconteceu, à pouco tempo uma situação, no mínimo caricata. 
Tudo começou quando o encontrei por acaso num sábado à noite, num restaurante que fui experimentar: quem o conhece, não é para admirar, ele tem o dom de estar em todo o lado e de toda a gente o conhecer! Calcorreia o país em menos de 24 horas para comparecer em múltiplos eventos, sempre com um atraso redundante de 2 horas, é verdade... quem espera por ele já sabe como é: ele tem o dom de aumentar os níveis de ansiedade antes de cada encontro ! 
Se eu vos contasse as imensas coincidências que tenho tido com ele ao longo da minha vida e em tantos lugares e com tantas pessoas, não escreveria acerca de mais nada! O Papa João Paulo II comparado a ele, é um desconhecido! E até suspeito que o meu amigo - vou inventar-lhe um nome - Guilherme - já tenha dado mais voltas ao mundo em apenas 34 anos do que sua altíssima Divindade João Paulo II numa vida inteira! Deus o tenha!
Depois do jantar fomos a um bar, mas como a multidão era tanta para entrar, eu e umas amigas acabámos por nos vir embora. O guilherme ficou. Qual é o meu espanto, quando no dia seguinte leio um sms dele enviado às 05h00 da manhã, a perguntar-me: ainda estás acordada?
Logo que pude, liguei-lhe. Achei esquisito. O que teria acontecido? Não acredito que fosse só para me espicaçar os remorsos de não ter ficado, pensei! - exagerando como é seu hábito, o quão fantástico estava o ambiente, para que eu roesse as unhas de inveja.
Querem mesmo saber o que aconteceu? Tinham-lhe rebocado o carro - estacionou-o numa rua estreita que não dava para passar uma agulha quanto mais um camião do lixo e ainda por cima com o carro dele lá estacionado! Depois informou-se que só poderia ir buscá-lo a partir das 07h00 da manhã. Então porque é que precisava de mim? Porque deixou as chaves de casa dentro do carro e dava-lhe jeito fazer uma sestinha em minha casa, sobretudo porque estava com a namorada e não tinha para onde levar a desgraçada sem ter de passar por toda aquela hecatombe.
Como se não bastasse, não foram só as chaves de casa que lá ficaram. O livrete do carro também lá estava dentro. Aliás, ele nunca anda com ele na carteira, confessou-me. Um dia, se lhe levam o carro como é que ele explica ser o proprietário? E qual é o policia que acredita que o indivíduo que se apresenta como proprietário, não sabe sequer a matricula do seu carro? Estão a ver a barafunda? É como encontrar a tal agulha que não cabia na rua onde ele estacionou - porque para dificultar ainda mais a busca do carro (para que parque é que o tinham levado?), o Guilherme não era sequer o proprietário do carro. A viatura pertence à empresa para a qual trabalha! E ele nem sabia bem o nome em que estava registado.
Quem é que acredita nisto? 

sábado, 31 de março de 2012


Quando nos guiamos pela boa vontade em tudo aquilo que fazemos, as coisas resultam muito melhor. Parece conversa fiada ou um pensamento retirado de um daqueles livros que nos quer convencer que se mudarmos os nossos pensamentos, mudamos a nossa vida por artes mágicas. Não é disso que se trata. É mesmo a minha própria experiência a falar. Tenho comprovado isso no meu dia-a-dia.
A boa vontade é um sentimento muito poderoso e que realmente pode trazer muito bons resultados para quem a semeia. É importante polvilharmos tudo aquilo a que nos entregamos diariamente com pózinhos de boa vontade!
Realizamos as tarefas domésticas sem tanto esforço, atingimos os nossos objectivos diários com muito mais facilidade, cumprimos os deveres sem o sentido tão carregado de obrigação; ajudamos os nossos familiares naquelas tarefas muito chatas ou que não dá jeito nenhum àquela hora fazer (quando dá jeito fazer coisas chatas???!). “Ajudas-me a pôr aqui uma pomada nas costas?” ou “Vens comigo ao supermercado porque senão num dia muito próximo, amanhã por exemplo, quando o abres, só tem ar!”.
Aturamos chefes e colegas rezingões com um sorriso nos lábios e um pensamento daninho: “Hoje nada me chateia.”.
Ultrapassamos os obstáculos sem necessitar depois de esfregar com tanta força a camisa debaixo dos sovacos. Porquêê? Ora porquê? Porque transpirámos menos....
Temos mais paciência quando a nossa mãe nos liga antes das nove da manhã, só para nos lembrar de um pequeno pormenor, como fazia quando tínhamos 8 anos e nos perguntava se levávamos os livros e as canetas dentro da mochila para a escola.
Enfim, possuir uma boa dose de boa vontade é um alívio para nos ajudar a fazer aquelas coisas mais aborrecidas que qualquer vida tem, retirando-nos o sentimento de estarmos a carregar uma cruz aos ombros! 
quarta-feira, 21 de março de 2012


Passei o dia a matraquear “quem corre por gosto não cansa”. O que significa então o verbo gostar? Fui ao Priberam e vêm lá as seguintes definições: ter prazer em fazer algo; ter inclinação, afeição, simpatizar, ter satisfação.
O verbo gostar é usado portanto, mais no sentido prático para expressar prazer ou satisfação em fazer alguma coisa ou em sentir algo no momento presente. 
E quais são as grandes diferenças entre gostar e amar? O verbo amar tem outra intensidade. É mais selecto, é mais teórico e usado no sentido mais profundo. Não se pode usar com a mesma vastidão e desprendimento que o verbo gostar. Nem faria sentido.
Ora vejamos, dá-me prazer falar com pessoas que cultivem o gosto pela literatura ou pelo cinema; gosto de apreciar a lua cheia numa praia à noite ou enquanto conduzo - vejo sempre no seu interior a cara de um menino a rir ou com cara séria, e até já o vi a lacrimejar - penso que talvez tenha alguma coisa a ver com o meu estado de espírito! E por vezes, não vejo uma coisa nem outra, os desenhos que estão dentro da lua são mais vagos e fazem-me lembrar aquela silhueta do ET quando tentava comunicar com a sua casa, lembram-se? 
Mas em nenhum destes casos faz sentido usar o verbo amar. É demasiado seborreico. 
Dá-me satisfação passear pela praia com a brisa do mar a flutuar-me no corpo e a espuma da água a salgar-me as pernas - é uma enorme sensação de bem-estar. Gosto de ficar quente para depois desfrutar de um refrescante banho que me sacia!
Gosto de ser abraçada e receber mimos das pessoas que amo! Gosto dos gelados do Santini, cheios de fruta natural e que me fazem querer voltar ao chiado para os provar uma e outra vez de seguida. Gosto de andar nas lojas a experimentar coisas giras, mesmo sem comprar!
Gosto de cheirar o vinho antes de o degustar pela primeira vez! Tenho satisfação em apreciar devagar e com as papilas degustativas abertas e enebriadas de prazer vários petiscos, até me encher com a minha própria gula! Mas usar aqui o verbo amar, seria como vestir calças de camurça em pleno verão...exagerado, não? 
Amar é mais definitivo. Não pode ser só no momento. É menos sensual. Menos intuitivo. É mais intemporal. Amar é um dom. Ama-se o pai, a mãe, os irmãos, o parceiro, os filhos, os avós. Amo viajar, escrever...gosto de ler, mas já não amo! Apenas alguns livros é que ficam para sempre! 
Como disse no ínicio, o verbo amar é mais selecto. Temos mais dificuldade em fazer uma longa lista de coisas ou pessoas que amemos verdadeiramente. Eu diria até que os dedos das duas mãos chegam para enumerar aquilo por que sentimos amor puro! Em contrapartida, poderia encher três ou quatro páginas com exemplos em que pudesse usar o verbo gostar.
Nenhum substitui o outro nem é mais importante. O verbo gostar pode fazer-nos mais companhia ao longo do dia-a-dia, pois usamo-lo com muito mais frequência. Como o próprio nome indica - gostar, vem de amigo! 
Mas numa única vez, o verbo amar pode encher-nos a vida inteira! E valê-la também.

quarta-feira, 14 de março de 2012


Há certas alturas em que ficamos sem palavras. Em que não temos mesmo nada para dizer. O silêncio instala-se. Normalmente isto acontece quando ficamos perplexos com aquilo que nos está a acontecer. E sentimos que não há nada que possamos dizer ou fazer para alterar o presente. 
O silêncio de que estou a falar, não é aquele que se partilha com o parceiro ou com um amigo num restaurante ou numa esplanada e em que por momentos, não há nada para dizer. Esse silêncio não fere nem constrange.
O silêncio de que eu falo é o que significa desalento, dor, mágoa, desapontamento. É o silêncio de quem deu tudo e se sente roto por dentro. Porque foi apanhado de surpresa. É o silêncio de quem já não tem palavras para acreditar e está cansado. E fica calado sentindo o coração amarrotado de dor. A dor sufoca a voz. Cala as palavras. 
Este silêncio é aterrador. É a voz da descrença, da impotência de acabar com o sofrimento que se está a sentir. Normalmente cai-se neste silêncio quando deixou de haver esperança. Quando ainda nem sequer se sabe bem como vamos seguir em frente a partir daí. A cabeça pensa a uma velocidade estonteante. Mas nem forças tem para balbuciar quaisquer palavras. O caos instalou-se. E o melhor é deixar passar. As palavras hão-de voltar por si, quando a dor e a imensa tristeza desanuviarem.
O silêncio de que eu falo surge quando duas pessoas que gostam muito uma da outra, se esgotam e estão tão cegos com os defeitos e os erros um do outro, ao ponto de deixarem de vislumbrar o amor que as uniu. E pura e simplesmente, desistem. E entregam-se à separação. 
Vence o silêncio...

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