domingo, 16 de setembro de 2012


Os amigos são os nossos amores - quando estamos sem Amor! São almofadas para encostar a cabeça, ler e descansar. São injecções de adrenalina que nos espevitam e nos fazem acordar nem que seja à custa de um arremetão ou até de uma bofetada. “Mas estás maluco? O que é que estás para aí a dizer? Assenta os pés na terra.”

Os amigos são também os nossos vampiros e algo sanguessugas também! Há certos dias que precisam muito da nossa atenção e são eles que nos ligam para descarregar frustrações, tristezas, para se revoltarem, queixarem e pedirem conselhos. Aí, sugam-nos as nossas energias e a nossa boa-vontade. Claro é, no bom sentido. Os amigos servem também para isso, para nos sugar. Porque dar não custa, quando o fazemos por gosto. Porque os nossos amigos mereçem e a dedicação que lhes devemos é sempre infinita. Ou deveria ser.

No fundo, em vez de dar, prefiro antes dizer, que entre verdadeiros amigos, há uma espécie de simbiose gratuita, uma entrega sem obrigações, sem marcação na agenda, uma troca de favores expontânea. Toca a sirene, é preciso estar lá e pronto. O contrário, já aconteceu também muitas vezes - sabemos.

Os amigos são uma espécie de serviço de cozinha para todas as ocasiões. Uma delas é serem usados como sacos de boxe! Quantas vezes ensaiamos na sua frente discursos sindicalistas para serem ditos ao chefe? Ou discursos lamechas que não temos coragem de dizer a mais ninguém? E aqueles disparates que nos saiem da boca e que mais ninguém compreenderia e muito menos, acharia piada? E os ensaios são intermináveis sobre tudo e sobre nada, ao telefone ou à mesa de um restaurante. Quem mais teria tanta paciência para nos aturar quando estamos chatos, rezingões e extremamente aborrecidos, senão os nossos amigos?

Penso que em vez de amigos, se lhes chamássemos poços fundos, não seria mal dito. Claro que nem todos os amigos, são poços fechados. Há sempre uns que têm uma certa dificuldade em guardar segredos, mas quando é preciso desabafar, são sempre poços fundos, invariavelmente!

Os amigos são peças fabricadas à mão e feitas por medida, como as bonecas de trapo que antigamente se faziam ou os bonecos de madeira dos carpinteiros. Não há um igual. Uns mais culturais, acompanham-nos nas idas aos museus, ao cinema, ao teatro, a concertos. Outros mais gastronómicos, palmilham a nosso lado os manjares de todos os novos restaurantes. Há os que preferem receber em casa e cozinhar para os amigos, são os amigos hospitaleiros. Há os que organizam festas por tudo e por nada e sabem de todas - mesmo das que ainda estão no segredo dos Deuses. Há os desportistas na verdadeira aceção da palavra e nos fazem levantar cedo para fazer maratonas, tracking, vela, surf ou simplesmente, ir a uma aula de localizada. E há os desportistas que levam a vida a relaxar e nos inspiram a meditar no meio da praia ao pôr-do-sol, a fazer pic-nics aos fins-de-semana e inventam actividades que nem pela cabeça do menino jesus já passaram. São os amigos Carpe-diem por eleição e quando estamos com eles, nos sentimos a levitar. 

Os amigos não são de longe as nossas almas siamesas! O melhor mesmo é que até sejam muito diferentes de nós. Não substituem nenhum amor, mas são uma espécie de paixão sem necessidade de arder. Não é preciso estarmos com eles todos os dias para lhes provar o nosso amor. 

Há amigos que nos acompanham uma vida inteira. Não falo mais do que três ou quatro. Os que estão sempre connosco, mesmo à distância. Aparecem e desaparecem conforme lhes dá jeito e a nós também. Estão mais próximos numas fases que noutras. Mas quando olhamos para trás, já estão connosco há uma eternidade de anos. Conseguem ser pela vida fora a paixão que se transforma em amor e que na prática se traduz em carinho, compreensão, dedicação, companhia. Isto é, estejam onde estiverem, acabam sempre por aparecer quando mais precisamos. Parece que transportam uma sirene interior que nos liga a eles. E quando aparecem após um ano de silêncio ou até mais, é inexplicável a empatia que se sente. Recomeça-se a falar como se tivessemos estado juntos na véspera e nos tivessemos despedido com um “até já”.

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Estou de regresso! Para contar novas histórias, para partilhar pensamentos, opiniões, ideias. Para rir e chorar sempre que for preciso e porque é bom emocionarmo-nos. É sinal que estamos vivos! 
Estou de regresso de umas férias inacabadas.Aliás, mesmo as que não são interrompidas, sabem sempre a pouco e nunca fazemos tudo o que inicialmente pensamos.

Estou de regresso porque como uma amiga me disse: “Tens leitores e gostamos do que escreves!”. Estou de regresso porque não quero desistir de escrever aquilo que me vai acontecendo diariamente e porque os silêncios encerram dias sem alma e é importante marcar todos os dias com algo que nos faça ter mais vontade de viver. E mesmo que não passem de meia dúzia de linhas, muitas vezes escritas à pressa, entre um afazer e um intervalo de uma reunião, ou até um momento antes de fazer uma apresentação. 

Estou de regresso porque na mesma medida em que é bom partir, também é bom regressar. E cada regresso é sempre diferente. Marca um ínicio. Ou uma continuidade. Mas é sempre algo novo. Como uma nova pele que se veste. Uma nova maquilhagem que se pinta. Um novo vestido que se estreia. Uma nova inspiração.

E ontem celebrei este regresso, dançando comigo mesma, num recanto de uma praia, entre um palácio de rochas, ao fim de um dia, em que o sol majestoso, com a espuma das ondas, refrescava as minhas pernas que davam saltos e reviravoltas, ao som da música que euforicamente saía do I-Pod que não é meu. Mas que ficou comigo porque tem as músicas que eu gosto e porque quem mo deu, não mo quis gentilmente tirar! Obrigada.

E enquanto passeava por aquela praia e olhava aquelas pessoas ao som de músicas que me enchiam a alma de boas energias, fiz as pazes com o pôr-do-sol que havia de chegar dali a duas ou três horas, agradeci a plenitude e a paz que estava a sentir e enchi-me de esperanças por mim e pela minha vida...por mais tortos que sejam, alguns dos caminhos que já trilhei. 

Concentrei-me apenas nas sensações que estava a sentir no momento: na alegria que a música me transmitia, na imensa vontade de cantar e dançar debaixo daquele sol ardente, refrescando-me nas ondas que vinham brincar a meus pés. Bastava-me apenas isso! Estava ali de corpo inteiro. Sem passado e sem futuro. Sem más recordações, sem erros, sem pedidos de desculpa, sem lagrimas, promessas, ou culpas. E decidi que era tempo de regressar. O tempo se existe é hoje. E é apenas isto que posso controlar!

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