domingo, 3 de junho de 2012


Apesar de andar toda a gente mais triste e stressada com toda esta instabilidade e confusão em que nos encontramos, com a Europa a naufragar sem um poder efectivo que a sustente ou sem soluções que nos dêem alguma confiança, a verdade é que ultimamente também descobri o lado positivo de tudo isto que estamos a viver.   
Vejo as pessoas mais próximas umas das outras. Aliás, sinto uma espécie de proximidade e de solidariedade crescente, seja entre colegas, amigos, familiares e conhecidos. Existe a consciência que estamos todos no mesmo barco. Já tinha ouvido dizer que é nos momentos difíceis que a verdadeira essência das pessoas se mostra no seu esplendor, como em tempos de guerra ou revoluções. Mas nunca tinha experiênciado na pele e estou surpreendida. Porque tenho notado que depois das primeiras convulsões em que se começou a falar da crise, em que o medo das pessoas era expresso no dia-a-dia por atitudes mais agressivas e de grande competição. Agora, que estamos realmente em suspenso para o que vai vir por aí, e estamos conscientes de que vai ser numa primeira fase pior, vejo as pessoas mais serenas mas não derrotadas. Cada um de nós, dos que se vão aguentando com emprego e com a sua vida mais ou menos estável - até ver! - começam a ganhar uma perspectiva diferente da vida e até das suas próprias necessidades. Têm atitudes mais solidárias e mais fraternas umas com as outras. Vejo que muita gente baixou a crista. Todos admitem estar vulneráveis mas estão mais fortes. As conversas fúteis são mais raras, as pessoas falam mais do que as preocupa e pedem ajuda. Vejo mais gestos de amizade e companheirismo e até de alguma compreensão extra.
Julgo que chegámos todos à mesma conclusão: que não vale a pena andarmos a zangar-nos uns com os outros ou com má cara e arremetões. Juntos e unidos somos mais fortes. Penso que já compreendemos que vamos todos perder. E vemos ao nosso lado, quem já perdeu tudo. Sentimos que há menos oportunidades e que os tempos que vivemos para além de difíceis, são de extrema mudança e muito rápida. Não há tempo. Mas por isso mesmo, as pessoas estão menos arrogantes e mais humildes. Claro que  há os que continuam na mesma a querer salvar apenas o seu quinhão e preservar o seu quintal de muros altos. Mas esses, são menos e estão sozinhos. 
Penso que o facto de entendermos que somos todos frágeis e vulneráveis e que não podemos controlar o que se está a passar em nosso redor, está-nos a dar uma magnitude para olhar a vida de outra forma.
Secalhar, podem imaginar-me muito idealista ou até demasiado optimista. Mas acredito que depois desta convulsão, a que ainda ninguém sabe bem que nome lhe dar, vamos ficar todos mais humanos!
Acho que já toda a gente entendeu que não é só uma crise, o que estamos a viver. É muito mais abrangente do que isso. É o fim de muitas convicções que nós até agora já julgavamos como certas.  Menos abundância. Questionar o valor do dinheiro. Afinal, ele é virtual! Tem fim. Não cai do céu. Por onde anda?
É o principio de uma nova forma de viver. Precisamos de tudo o que temos? Quais são as nossas necessidades primordiais? A quantidade de lixo que produzimos e o que desperdiçamos. Repensar os valores que incutimos às crianças: como o consumo, possuir uma licenciatura, a competitividade, o dinheiro.
Ninguém sabe o que vai acontecer. Mas todos sabemos que nunca mais voltaremos a ser quem fomos. Acredito em absoluto que o único caminho que podemos seguir se quisermos salvar-nos é redescobrir a nossa Humanidade. E ela passa por olharmos mais pelo próximo. Cuidar e respeitar. 
E sinto uma enorme esperança, porque como disse no inicio deste texto, vejo que as pessoas estão a mudar. E vamos todos sair melhores desta crise! Com menos dinheiro nos bolsos, é verdade...mas mais ricos no interior. 

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