segunda-feira, 12 de novembro de 2012
Não serve de nada meter o rabo entre as pernas ou calçar uns ténis para fugir mais rápido por qualquer atalho, com o fim e o propósito fixo de fugir de um amor.
É uma ilusão o caminho que se tenta construir na fuga do amor. É uma armadilha. É um trapézio sem rede. Desemboca-se em ruas sem saída ou de trânsito proibido. Mergulha-se numa piscina sem água. Nada-se numa área da praia, cheia de ouriços. Calça-se sapatos que magoam os pés. Frequenta-se sitios cheios de gente, sem graça nenhuma. Descobre-se a imensa solidão na festa que deveria ser a mais hilariante. Entra-se num túnel vazio e sem luz que parece não ter fim. O coração definha como as flores sem água e sol. A alma dá gritinhos de incompreendida e soluça de solidão. Enfrasca-se a tristeza em soluções alcoólicas e de fazer passar o tempo, como se a conseguissemos enganar.
Todas as pessoas que tenho visto optarem por esse caminho, estatelam-se ao comprido e irremediavelmente acabam por reconhecer que se descobriram como aranholas de cabeça encabrestada, tolas, sem saber o que fazer.
A cabeça julga que pode mais que o amor e no príncipio ilude as pessoas que por qualquer razão, sentem que precisam de fugir de um amor: por medo de serem magoadas ou por já terem sido e já não confiarem. No entanto, quando o amor é contrariado, leva à loucura a própria cabeça que se julgava superior.
Não vale a pena querer estancar o amor. Quanto mais força se faz para esquecer alguém, mais nítida é a gravura que fica dela na nossa memória.
