quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012


à minha amiga Patricia
Quando se acredita verdadeiramente em alguma coisa, faz-se por concretizar aquilo em que se acredita. Os sonhos só deixam de ser sonhos quando passam a ser reais. É este o verdadeiro poder dos sonhos. Fazer-nos mover o nosso rabinho - que muitas vezes ganha formato de quadrado por ficar demasiado tempo entalado e comprimido à cadeira dura.
Não basta só sonhar. É preciso genica. É preciso ter planos. É preciso ser concreto e objetivo naquilo que se pretende. É preciso fazer acontecer algo novo todos os dias. Nunca se perde tempo quando se estão a concretizar sonhos. Os sonhos não se podem é perder.
Falar só não basta. É preciso ir à luta e encontrar vários caminhos. Possuir uma bandeira sem a levantar no ar, não faz falta nenhuma. Ter um copo vazio sem o encher de água, de chá ou sumo, não mata a sede. Ter um montão de roupa esquecida no roupeiro sem usar, para além de ocupar muito espaço e dar um trabalhão a arrumar, só serve para criar pó e enfastiar. 
O que eu quero dizer com isto. É que de nada serve termos sonhos bonitos e acreditar neles, senão fizermos nada de concreto em realizá-los. 
Os sonhos também criam mofo, senão saírem da cabeça. Perdem-se na resignação e na falta de atitude. Ter sonhos, qualquer um tem.  A loucura, a determinação e a coragem não está em sonhar! Não é preciso ser-se especial de corrida ou possuir uma inteligência fora do normal.  Corajoso, louco e destemido é quem luta pelos seus sonhos sem vacilar. É quem sai da sua zona de conforto e transpira por os tornar realidade. É quem acredita que os sonhos só existem se forem realizados. E sonha-os, mexendo-se por os tornar reais.
A Frase do Luther King “I have a dream” só tem o magnetismo que tem porque ele realmente realizou o seu sonho. Ainda que tenha morrido por ele...claro que não é isso que se pretende. O ideal é ficar vivinho e de boa saúde para podermos celebrar a sua concretização.
Esta lição foi-me dada por alguém que acredita no meu próprio sonho. Obrigada.

domingo, 26 de fevereiro de 2012

A Margaret Tatcher diz que um dos problemas do mundo de hoje é que as pessoas não pensam, só sentem. Não têm Pensamentos ou ideias. “Pergunte-me o que penso, não o que eu sinto” - diz ela num dado momento ao médico que a assiste, no filme sobre a sua vida.
Eu prefiro acrescentar que hoje em dia, não se pensa muito e sente-se ainda menos.  Assiste-se brutalmente à calamidade do esvaziamento de pensamentos e de sentimentos.  Perdoem-me se pareço muito pessimista, mas é isso que presencio. 
Há cada vez menos líderes com empatia e nervo mundial, com ideias realmente inovadoras e com missões que movam multidões. Onde estão os Gaudi, as Margaret Tatcher, os Luther King, os Gorbachev do nosso tempo? As pessoas estão cada vez mais indiferentes às dificuldades dos outros. Os famintos inebriam-se com figuras públicas que ganham rios de dinheiro por ostentarem imagens ocas. E sentem-se satisfeitos com isso. 
As grandes ideias surgem do caos e do sofrimento. Os povos desenvolvem-se intelectualmente em tempos de catástrofe e da urgência de sobreviver. Não é por acaso que as épocas mais proliferas em termos culturais sejam as guerras. Quanto maior é a intensidade do abismo maior é a necessidade de criar alternativas e o poder de criação da mente humana inflama-se em busca da luz. É sofrendo que se sente...e é sentido que as ideias nascem! 
Quando é tudo fácil, a mente tende a adormecer num conforto que paralisia. Nem sente...nem pensa! É urgente criar novas ideias. É urgente perceber que ainda não inventámos tudo. Hoje em dia há cada vez maiores desafios: a criminalidade cada vez mais selvagem das grandes cidades, o terrorismo aleatório e organizado, a falta de recursos naturais como o petróleo, a água; o desemprego que aumenta exponencialmente; a medicina prolongou a longevidade da vida mas também proliferam outro tipo de doenças que gastam muitos recursos aos Estados Providência e que nos fazem questionar “vale a pena viver até aos 90 anos estando prisioneiro de um corpo morto?”. Há problemas que se agigantam todos os dias, como o grande fosso entre pobres e ricos; o que fazer com a falta de saúde do nosso mundo?  
Não vivemos tempos fáceis mas vivemos tempos ocos.
domingo, 19 de fevereiro de 2012


Quando li a primeira frase do livro “Último Volume” de crónicas do Miguel Esteves Cardoso, decidi que um dia quando crescesse queria escrever como ele. E nunca mais larguei o livro até à última linha. Dizem que as grandes paixões são assim. Ao primeiro olhar. No primeiro contato. Mas que depressa se eclipsam. Aqui estou eu a contrariar a regra. Há paixões que duram uma vida inteira. 
Desde esse dia, comprei todos os livros de crónicas que ele tinha publicado; devorei os dois romances que ele entretanto escreveu a seguir. Estávamos nos anos 90 e o Miguel era uma verdadeira estrela. Podia haver quem não gostasse dele, mas ninguém  discordava que ele era brilhante. Dizia o que queria; escrevia o que lhe dava maior gana, com inteligência, com humor, com sarcasmo e perfeita harmonia. Tinha um sentido apurado para fazer as críticas sociais e políticas com que toda a gente se identificava. Fazia gravuras límpidas e sublimes sobre a sociedade e o Portugal dos anos 90. Não tinha medo nem vergonha. Tinha um descaramento abusado mas ao mesmo tempo infantil e enternecedor. 
Mas o mais óbvio nele era a imensa paixão com que inundava todas as frases que escrevia. Fosse a falar do que fosse. Dos erros gramaticais de português, dos betinhos como de intimidades suas. A sua paixão era comovente e comovia.  
Ontem descobri uma carta que escrevi há mais de dez anos atrás ao Miguel Esteves Cardoso. Em que lhe dizia: “Para mim, não há nada perfeito no mundo, mas o Miguel conhece a perfeição de perto, já lá caminhou muitas vezes e sabe que chegar lá não é impossível.” 
Mais uma vez foi ele que me inspirou a prestar-lhe uma homenagem. Recordo-me de andar a ler em voz alta, para trás e para a frente, no meu sotão, as maravilhosas crónicas que ele então escrevia n´O Independente. E sempre que as suas palavras me arrepiavam a pele e me chegavam ao coração - porque ele tinha o dom de dizer por palavras aquilo que eu pensava ou sentia - fazia-me sonhar: um dia, quero escrever assim! É verdade que entretanto cresci e continuo a ter uma imensa paixão pelas suas palavras e pela escrita. No entanto, já aterrei e sei que por mais que me coloque em bicos de pés ou faça o pino, nunca serei capaz de escrever como ele escrevia! É mais fácil um dia fazer a esparragata! 
Confesso que ultimamente não tenho acompanhado muito do que ele escreve. Hoje até andei à procura do seu blog - mas não encontrei nenhum que me pareça estar actual: Pastilhas? Restos de colecção? Esta semana no dia dos namorados,  alguém colocou um post sobre a crónica que ele escrevou no Público sobre o amor! Como sempre está maravilhosa. Simples e perfeita. 
Tenho saudades dele. E cada vez que isso acontece, procuro os seus livros ou algumas crónicas que rasguei dos jornais e ainda conservo dentro dos seus próprios livros dobradas e não me canso de reler as suas palavras perpétuas e intemporais. Volto a sonhar e a entender perfeitamente aquilo que ele me está a dizer. Como se tivesse acabado de as escrever. 
Quem atinge a perfeição uma vez, fica para sempre. 

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012


O amor é...uma pontada vertiginosa no coração; é a sensação de se estar à beira do abismo e em vez de cair, voa-se livremente.
O amor é dar uma volta ao mundo, descobrindo as mil maravilhas que o outro tem!
O amor é ficar feliz de se estar com cara de parvo, embevecido com a beleza e iludido com a (im)perfeição do ente amado.
O amor é o abraço que não se desaperta, são duas mãos naturalmente entrelaçadas, são dois caminhos que se juntam e completam.
O amor é o sentido da vida. É o que engrandeçe a alma quando está vazia. 
O amor é o melhor anti-depressivo que não se encontra à venda em nenhuma farmácia; é o analgésico mais rápido a actuar em todas as enxaquecas e maleitas de qualquer grau.
O amor é o capote mais quente para proteger do frio.
Porque queremos sempre explicar o amor? Se ele é afinal inexplicável, por mais que o tentemos definir. O amor não precisa de palavras. Sente-se e pronto.



domingo, 12 de fevereiro de 2012


Ninguém gosta que lhe esfreguem os seus próprios defeitos no nariz! É dificil para toda a gente ouvir aquilo que tem na sua personalidade que irrita aos outros. Ninguém está preparado para ouvir isso. Não se trata de imaturidade ou de mau feitio. A verdade, é que apesar de sabermos que não somos perfeitos - uma coisa é sermos nós a ver essas imperfeições, outra é quando são os outros a “fazerem-nos” ver! Sentimo-nos sempre lixados, traídos e de certo modo, magoados ou injustiçados. E há sempre uma tendência  para conotarmos os outros de exagerados.
É dificil deglutir os batráquios que nos atiram à cara. Não é má vontade. É mesmo dificuldade. Quem gosta de deglutir batráquios? E sobretudo quando os atiram para cima de nós sem nos darem qualquer hipótese de fugir? Mais dificil ainda se torna, quando descobrimos que esses batráquios existem dentro de nós e que arreliam os outros.
No entanto, por mais dificil que seja, às vezes não há outra alternativa a não ser, dizer e ouvir. Quem diz, fica momentaneamente com a sensação de ter sido duro. Quem ouve, não consegue logo entender. Mas a vida é assim mesmo. 
Qualquer um de nós tem batráquios irascíveis e deprimentes: ser demasiado desarrumado, muito relaxado ou o inverso, hiper-stressado; o que tenta explicar tudo com ímpetos racionalistas; o exacerbado de emoções até pela tia velhinha da vizinha que já não vê há meses; o obcecado pelas arrumações; o cuscuvilheiro sem emenda; o super-organizado (e o inverso deste!);  o língua de trapo; o que aceita as maiores catástrofes da vida com  o mesmo ar sereno e de submissão; o atrasado inveterado; o metralhador de balelas; o vitimizado a quem tudo acontece por perseguição e fatalidade; o descomprometido; o exímio crítico que até consegue ver o pêlo encravado que ainda  está por nascer... etc, etc, etc.
Todos nós temos algumas características que sendo abusivas e frequentes, acabam por pôr os cabelos em franja das pessoas que nos estão mais próximas. São elas no fundo que estão a toda a hora a levar com estes batráquios. Por isso, também são estas pessoas que têm o direito de nos chamar a atenção. 
Significado de Batráquio: vertebrado ovíparo de sangue frio e pele nua e húmida, que tem guelras no estado larvar e pulmões no estado adulto, e que pode viver na água ou em terra. São anfíbios que estão entre os peixes e os répteis. Mais conhecidos por rãs, salamandras e sapos!
Todos eles feios. Por isso, é que são tão difíceis de deglutir. E quanto mais feios, mais importante se torna que tomemos consciência deles, para os corrigirmos! 



terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Passei a manhã a matutar na expressão “trincar a língua” utilizada pelo Dr. Passos Coelho para afirmar que Portugal tem de cumprir o acordo da Troika... “nem que tenhamos que trincar a língua”, dizia ele! E tenho-me questionado sobre o seu significado no contexto em que ele a utilizou e por mais que tente, não vejo grande lógica.
Ora vejamos, trincar ou morder a língua utiliza-se correntemente com dois sentidos:
  • o sentido prático, objetivo e direto de se morder mesmo a língua! Acontece por exemplo quando se está a falar ou a comer, há um dentinho que escorrega com maior rapidez do que a nossa língua consegue fugir e trinca-a! Ui, que dor! Ou então, acontece quando a língua e os dentes têm um encontro de primeiro grau - género empurrão nas saídas dos concertos ou de um grande jogo de futebol. 
  • E depois, há o sentido figurado: quando nos precipitamos a apregoar verdades como certas, que se demonstram facilmente não se verificar ou quando apostamos com demasiada veemência ou defendemos exageradamente uma posição e depois, somos obrigados a dar o braço a torcer e...mordemos ou trincamos a língua.
Dr. Passos Coelho, que sentido faz então utilizar esta expressão no contexto em que a utilizou? Desculpe mas eu não estou a entender. Se para cumprir o acordo da Troíka, nós já estamos a trincar tudo! Empregos, subsideos de férias, a educação, o sistema nacional de saúde, as reformas, o turismo, o carnaval e outros feriados...estamos esfrangalhados. Já nem os ossos nos restam para trincar! Quanto mais a língua.
Será que aquilo que o Dr. Passos Coelho queria dizer, não seria antes: Portugal tem de cumprir o acordo da Troíka, para eu não trincar a minha língua? 
De qualquer forma aconselho-o a comprar um caderno de notas para preparar expressões mais adequadas e eficazes nas comunicações públicas que faz...não lhe aconteça ficar sem língua!

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012


O segredo é acordar todos os dias pela manhã com um enorme prazer e gratidão por se estar vivo e saltar da cama, com as perninhas que Deus nos Deu e prometer, fazer desse dia, um dia feliz e melhor que o anterior! Sem pressões, mas com a garra de ter objectivos novos e promissores pela frente.
Desde que fomento este espírito dentro de mim, sinto que o meu caminho é muito mais fácil e os pequenos milagres acontecem todos os dias, para me mimar e dar mais alento! Desde que tenhamos saúde, emprego e a nossa familia esteja bem, que razões temos para nos queixar? A vida acontece hoje. A felicidade existe dentro de nós. E quanto melhor nos sentirmos connosco, poderemos também ser mensageiros dessa felicidade aos outros!

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