sábado, 28 de abril de 2012


Vamos adiar o nosso amor. – disse-me ela, como se o amor se pudesse adiar. Como se se pudesse embrulhar num pacote e colocá-lo no congelador, para o descongelar na altura certa, quando houver disposição para isso.
Como se o amor se deixasse de sentir quando a gente quer e se pudesse pôr na prateleira e tirá-lo do coração como as pilhas do relógio e voltar a colocá-lo no coração como se faz às baterias dos telemóveis.
Sim, vamos adiar o nosso amor. Como quem desliga a televisão e vai para a cama. Nada mais simples nem mais conveniente.
Gostava de dizer as coisas que ela diz sem pensar. Gostava de sentir as coisas que ela pensa e diz. Gostava de ser matemático. Gostava de poder concordar com ela e adiar o nosso amor. O problema é que não sou matemático nem sou capaz de adiar o amor, como ela diz.
Gostava que tudo fosse mais simples: que não fosse preciso adiar o nosso amor ou fingir adiá-lo. Gostava que não fosse preciso mais nada, senão mesmo nós e o nosso amor.
Vamos adiar o nosso amor para quando pudermos estar juntos. Como se fosse possível adiar o que quer que seja, quanto mais o amor. 
Eu não sei se foram as palavras as traiçoeiras, se foi ela a brincar comigo. Eu não acredito que ela acredite que eu tenha acreditado no que ela disse dessa coisa de adiar o amor. Talvez tenha sido eu a ouvir mal e ela não tenha dito mesmo nada daquilo. Ou talvez até tenha dito mas porque estava nervosa e não conseguisse ver luz nenhuma para nós os dois e ao mesmo tempo o fim, fosse demasiado para o aguentar sozinha com a voz. 
Talvez o adiamento tenha sido o instrumento ideal para exprimir o caos e o sofrimento que estava a viver. Talvez o adiamento carregasse efectivamente uma esperança – a mais pequena e simultaneamente a maior esperança – que o nosso amor provasse através do adiamento o tão grande que ele era, se resistisse a ele. Talvez tenha sido isto que ela tenha querido dizer com o adiar o nosso amor. 
E quem sabe se não será mesmo possível adiar o amor para melhor o viver depois? Quem me diz que essa não será a chave para o amor eterno: adiá-lo nos dias, mantê-lo mais vivo no coração. 

domingo, 22 de abril de 2012


Já faz algum tempo que estou para te escrever ou para escrever alguma coisa sobre ti mas a inspiração não me vem. Não sei por onde hei-de começar. Já ensaiei mil vezes o que poderia dizer-te. Mas penso sempre que não é a maneira certa. As palavras têm-me fugido  para falar de ti.
Vejo-te como se fosse hoje, o primeiro dia em que nos conhecemos. Cabelos louros, grandes, sorriso largo, descontraído. Chamaste-me a atenção porque eras diferente de toda aquela gente que me rodeava e que não me interessava para nada continuar a falar. Aproximei-me de ti por desinteresse pelos restantes. Saiam-te da boca frases irónicas perante toda aquela multidão. Falavas daquele espectáculo como se tivesses chegado atrasada e só viesses assistir por uns momentos - explicaste-me, tinha sido essa a tua primeira intenção e falaste espontaneamente como que deduzindo apenas de me observar, que assim pensavas tu que também fosse comigo. Ficar só por instantes e depois partir, em busca daquilo que me realizava. 
Enganaste-te, acabaste por concluir. Foste ficando, até porque era divertido, porque corria sobre rodas e porque decidiste ir aproveitando enquanto as marés estivessem no teu sentido. Mas aconselhaste-me a não fazer o mesmo, a não me deixar flutuar por engano num lodo que não trazia prazer nenhum para além das aparências. Se gostas de escrever, não deixes nunca de escrever. Senão um dia nunca mais agarras nas palavras. Aqui só embruteces, disseste.
Apesar de teres sido muito próxima comigo naquele dia e eu estar tão faminta de quem fosse verdadeiro comigo, estivemos muito tempo sem nos vermos. Colocaste uma distância que depressa percebi que não iria diminuir. Respeitei. 
Foi já mais tarde que tive oportunidade de te conhecer. Os teus humores e especialmente o teu humor perspicaz, a tua ironia elegante, virtuosa e mordaz. As razões pelas quais te escondias tanto e parecias não te pegar a ninguém, a tua força desmedida perante as tragédias ou as más sortes que iam acontecendo, a tua desdramatização perante as cruzadas e a dramatização de algumas banalidades com que acabávamos por nos rir entre horas ao telefone, com as orelhas já a fumegar e a lingua em treino de alta competição. 
Aprendeste a ser indiferente a muita coisa por defesa e também para poupares energias para aquilo que realmente te faz sentido. És uma leoa que defende a sua familia e o seu território. A maldade dos outros não te intimida nem amedronta. As armadilhas da vida têm-te mostrado que não há nada que não se vença sem ser à custa de suor, teimosia e convicção. És uma pessoa muito exigente, não permites que nada passe em branco e não deixas por dizer aquilo que a voz e a justiça te ditam. Não usas meias palavras. Não inventas nomes, escreves a caneta preta e depois de dito, não apagas. Quer-se goste ou não. És tu. Gostas de quem gostas. Não perdes tempo a fingir. Sabes que não se agrada a toda a gente e tu só agradas a quem realmente te mostras, na tua sensibilidade, na tua emoção e nas qualidades que fazem de ti uma mulher acima das outras.
Amas ou odeias. Conheces pouco o meio termo. Se escolhesse uma música para te definir, seria o Fado. Pela gravidade com que falas das coisas que te empolgam a alma e pela ironia que te é própria ver em tudo, puxando gargalhadas sobre os ridículos que a vida tem e chamando as lágrimas pela forma apaixonada com que sentes aquilo que vives.
Manténs intacta a tua privacidade e fechas de muros aquilo que és e os que são teus. Escolhes selectivamente para quem te abres em flor. E um dia, quando escolheste, abriste-te por completo e foste para sempre feliz, num amor que será maior que as vossas vidas juntas e que tem vencido intocável, todas as provas que à maior parte dos amores terrenos teriam feito despojar-se pelo chão. O vosso não, está cada vez mais altivo. Nada ou ninguém vos poderá alcançar.
Por isso escrevo-te porque sei que não precisas de quem chore. Escrevo, apesar de não conseguir transmitir a força que tu inalas, a coragem que respiras, a certeza de que tudo há-de acabar por se resolver e que aquilo pelo que passas, não é mais que um sopro de falta de ar que a tua determinação há-de conseguir transformar numa nova Vida!
Celebro a ti...ao poema que ainda não escreveste, às rimas que estás por inventar, ao fado que ainda não ouviste, às flores que hás-de plantar um dia, às fotografias que hás-de tirar, aos sorrisos que estão por nascer dos teus lábios, ao brilho dos olhos dos teus filhos e às gargalhadas que ecoam do alto teu coração!

quarta-feira, 11 de abril de 2012


Têm-me pedido que escreva novas aventuras felizes e com humor, que se passem na minha vida ou na vida dos que me rodeiam. Anda tudo necessitado de rir às gargalhadas! 
Hoje passei o dia a matutar e nada. Apesar de ser uma pessoa a quem facilmente acontecem coisas hilariantes - nem que seja pela minha forma de ser - que começo a suspeitar, vir a ter jeito para o stand-up comedy (quem sabe, um dia destes?). Mesmo assim não é fácil.
Até que de repente me lembrei de um grande amigo a quem aconteceu, à pouco tempo uma situação, no mínimo caricata. 
Tudo começou quando o encontrei por acaso num sábado à noite, num restaurante que fui experimentar: quem o conhece, não é para admirar, ele tem o dom de estar em todo o lado e de toda a gente o conhecer! Calcorreia o país em menos de 24 horas para comparecer em múltiplos eventos, sempre com um atraso redundante de 2 horas, é verdade... quem espera por ele já sabe como é: ele tem o dom de aumentar os níveis de ansiedade antes de cada encontro ! 
Se eu vos contasse as imensas coincidências que tenho tido com ele ao longo da minha vida e em tantos lugares e com tantas pessoas, não escreveria acerca de mais nada! O Papa João Paulo II comparado a ele, é um desconhecido! E até suspeito que o meu amigo - vou inventar-lhe um nome - Guilherme - já tenha dado mais voltas ao mundo em apenas 34 anos do que sua altíssima Divindade João Paulo II numa vida inteira! Deus o tenha!
Depois do jantar fomos a um bar, mas como a multidão era tanta para entrar, eu e umas amigas acabámos por nos vir embora. O guilherme ficou. Qual é o meu espanto, quando no dia seguinte leio um sms dele enviado às 05h00 da manhã, a perguntar-me: ainda estás acordada?
Logo que pude, liguei-lhe. Achei esquisito. O que teria acontecido? Não acredito que fosse só para me espicaçar os remorsos de não ter ficado, pensei! - exagerando como é seu hábito, o quão fantástico estava o ambiente, para que eu roesse as unhas de inveja.
Querem mesmo saber o que aconteceu? Tinham-lhe rebocado o carro - estacionou-o numa rua estreita que não dava para passar uma agulha quanto mais um camião do lixo e ainda por cima com o carro dele lá estacionado! Depois informou-se que só poderia ir buscá-lo a partir das 07h00 da manhã. Então porque é que precisava de mim? Porque deixou as chaves de casa dentro do carro e dava-lhe jeito fazer uma sestinha em minha casa, sobretudo porque estava com a namorada e não tinha para onde levar a desgraçada sem ter de passar por toda aquela hecatombe.
Como se não bastasse, não foram só as chaves de casa que lá ficaram. O livrete do carro também lá estava dentro. Aliás, ele nunca anda com ele na carteira, confessou-me. Um dia, se lhe levam o carro como é que ele explica ser o proprietário? E qual é o policia que acredita que o indivíduo que se apresenta como proprietário, não sabe sequer a matricula do seu carro? Estão a ver a barafunda? É como encontrar a tal agulha que não cabia na rua onde ele estacionou - porque para dificultar ainda mais a busca do carro (para que parque é que o tinham levado?), o Guilherme não era sequer o proprietário do carro. A viatura pertence à empresa para a qual trabalha! E ele nem sabia bem o nome em que estava registado.
Quem é que acredita nisto? 

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