quarta-feira, 21 de maio de 2014
A Troika foi-se embora! Apesar das vozes contraditórias que reinam e apregoam destinos de pó enegrecido e caminhos sem saída para Portugal e para os portugueses, a esperança e os raios de sol da Primavera iluminam estas linhas.
Lisboa está mais bonita e mais orgulhosa de ser portuguesa! Está mais varina e mais cosmopolita. Desafia e atreve-se. Está mais bairrista e mais culta também.
Cheira a camélia e a jasmim. Inspira tascas e tabernas em todos os cantos recônditos, reunindo novos e velhos, tios e avós, estudantes de erasmus e brasileiros cheios de massa. Humildes e contentes, sentam-se em bancos tortos de Madeira ou cadeiras desconfortáveis dos tempos da avózinha . Felizes, a saborear petiscos saídos das mãos e da criatividade de gente que sempre adorou cozinhar por casa, até que arriscou numa mudança inesperada de vida!
Lisboa é moda de mercados e barraquinhas que fazem concorrência à Feira da Ladra. Os tios da lapa e de campo de ourique já não se envergonham de comprar sardinha ao sr. Rodrigues ou morangos à d. Alice. Encontram-se aos sábados pela manhã no mercado de Campo de Ourique e trocam as melhores sugestões de preços, enquanto apregoam o Master que o kiko está a fazer em Londres ou a novidade da Carminho ir casar.
A crise também ficou na moda, mas o choradinho nos mercados tornou-se mais alegre. Apela ao convívio. Os negócios destes espaços abertos tornou-se florescente e um must para portugueses e forasteiros. Uma espécie de jardim zoológico ou Safari em África. Todos têm de lá ir e ver. E para que não haja monopólios, Lisboa inaugurou este sábado o antigo-restaurado, novo mercado da Ribeira seguindo o conceito do de Ourique!
As floristas inundam várias ruas, com tentações campestres e outras mais sofisticadas! Há gays que tiraram masters em flores e as vendem com a delicadeza própria de um negócio que lhes sai da recente emancipação. Descobrem-se fotógrafos de Lisboa e por Lisboa que, abrem as portas a uma nova criatividade e os turistas adoram comprar-lhes as luzes originais de uma cidade imperial, com sonhos desfeitos e alma de saudade que só o português entende.
Os leilões saíram dos armários e toda a gente quer levar para casa o bicho da Madeira para restaurar ou uma peça de prata do séc. XIX, um candelabro de cristal amaldiçoado de uma antiga casa real e Portuguesa. Os azulejos celebram vidas eternas. Bairros como a Lapa, o Príncipe Real, Santos voltaram a ser habitados e nascem lá bebés fruto de amor Português.
A crise deu mais alma à cultura. Pedro Abrunhosa canta para os portugueses que partiram - não em naus - mas em aviões, em procura de uma vida que dói, não ser possível em braços da mãe pátria! As casas de fado oferecem vinho, bacalhau e às desgarradas vão surgindo pequenas Amálias e Carlos do Carmo com esperanças de se tornarem grandes!
O Miguel Esteves Cardoso voltou a editar livros! Aparecem novas promessas de Saramago, como João Tordo. E a língua portuguesa mostra a sua esplendorosa relíquia. Faz-se teatro de rua, espectáculos de luz a celebrar uma praça do comércio rejuvenescida! Os turistas vindos de todas as partes do mundo, ficam zonzos com os maravilhosos vinhos portugueses que provam e com as vistas que os seus olhos alcançam, num sem fim de miradouros e bares de hotéis onde cada Sunset se celebra como se fosse o último e o primeiro!
Fazem-se jantares em casa e convidam-se amigos, conhecidos e todos os que estiverem com vontade de conviver e poupar. O verbo partilhar tornou-se mais frequente e ganhou valor! Dar é a moeda de troca entre amigos. A franqueza está mais popular.
Dizem que uma mulher bela quando chora, fica ainda mais bela! As lágrimas e o suor dos portugueses, são o novo rimel português da ressurreição! Só falta inventar uma L`Oréal portuguesa!
