segunda-feira, 7 de maio de 2012
É estranho fazer 35 anos! Uma pessoa ainda se sente jovem em muitas coisas, mas já começa a ser velho para outras. É aquele meio-termo que não tem graça nenhuma. Não se cheira a mofo mas já se perdeu a frescura da colónia Ausónia na pele.
Uma pessoa de repente, encontra-se a meio do caminho. Olha para trás e para a frente. Salta de alegria? Dá gargalhadas? Celebra inconscientemente a vida? Dá soluços de arrependimento? É antes boa altura para se fazer uma reflexão sobre o que se quer e para onde se vai. Penso que é natural. E por isso, há duas perguntas que me vieram logo à cabeça tentar responder. A primeira é: realizei os sonhos que imaginava para mim com esta idade? E o que é que eu ainda quero muito realizar?
As duas perguntas têm a mesma resposta. Quero muito escrever um livro e ser mãe!
O primeiro é absoluto, sem reticências. O segundo, confesso que apesar de o desejar, não sei se por ventura conseguirei sê-lo, por falta de coragem.
A escrita é muito egoista. Exige tempo, espaço, dedicação. Não se escreve só por prazer, ainda que o prazer seja a grande motivação para quem escreve! Mas é mais exigente, é qualquer coisa que existe dentro da nossa alma que não se contenta com a vida a passar sem deixar vestígios ou marcas. Escrever é outra forma de parir, com dor!
É um sofrimento ansioso. É uma necessidade que quanto mais se alimenta, mais fome tem. Não se esgota. Por isso é que os grandes escritores, são quase sempre almas sós e incompreendidas. Por sua própria culpa e risco. Tomam essa decisão. Afastam-se. A escrita precisa de silêncio, de dor, afastamento. É a amante insaciável e mais insatisfeita.
Ser mãe é o oposto. É a dádiva, a renúncia ao eu, é o prazer quase sinistro de ficar de mãos vazias, é o desprendimento por si e o amor assolapado pelos filhos que, não se compara a nenhum outro sentimento que já se teve na vida.
Ser mãe é estar sempre satisfeito com pouca coisa, desde que os filhos estejam de boa-saúde, é o desespero de querer sempre vigiá-los e garantir a qualquer preço que eles estejam bem. É ter perdido tudo e estar-se contente pelos beijos e abraços que se recebe. É querer protegê-los, sem se proteger. É dar, sem pensar em receber. É um amor que tem principio e não encontra fim. É desmedido, é gigantesco. É impossível descrevê-lo sem o sentir.
Ainda assim, é mais fácil escrever do que ser mãe!

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