quarta-feira, 18 de julho de 2012
Os sonsos estão para o mundo como as boas intenções estão para o inferno. Ambos estão a rebentar pelas costuras e cheios deles!
Se há algo que caracteriza os sonsos é estarem sempre repletos de boas intenções, de mão a bater no peito, condoídos pelas dores alheias e de crucifixos em punho de riste. Fazem belos discursos sobre o amor, a paz, a solidariedade. Fazem figas nas costas enquanto juram a pés juntos serem desprendidos dos bens materiais e advogam grandes ideais de construir uma sociedade mais justa, mais equitativa e fraterna. Ouvindo-os, fazem crer que são as pessoas mais leais, verdadeiras, altruístas e desinteressadas. O dinheiro diz-lhes pouco, vendem-se como os melhores amigos dos amigos, dos pedintes e dos mendigos; nas suas palavras, até as carraças do vizinho se prontificam a alojar em casa, não vão estas morrer de fome! A traição repugna-os, confessam-se incapazes de mentir ou de ludibriar o próximo.
Enfim, qualquer sonso faz-me pensar numa réplica de Jesus Cristo ou Madre teresa de Calcutá! Pendurada ao contrário - de pés para o ar!
Toda a gente conhece sonsos. O problema é que muitas vezes só os descobrimos pelos seus actos que são inversamente proporcionais ao gigantesco altruísmo que ostentam!
As suas intenções são sempre boas, as acções dos outros é que os corromperam. Um sonso não mente, floreia a verdade. São infieis porque foram mal amados, usam o dinheiro dos outros porque lhes foi parar às suas mãozinhas imaculadas. Que pena, não serem manetas!
O que me irrita é que todos os sonsos que conheço dão-se muito bem nesta vida! Não sei se alguma vez irão parar ao inferno que está cheio das suas boas intenções, mas atazanam este mundo, metendo as mãos nos bolsos dos outros enquanto aparentam estar a rezar. Cometem actos de mesquinhez dignos do pior tio Patinhas por cinquenta cêntimos e no final, são até capazes de ir à guerra por umas cuecas rotas a que nem ao pior dos inimigos dão de graça!

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