domingo, 26 de fevereiro de 2012
A Margaret Tatcher diz que um dos problemas do mundo de hoje é que as pessoas não pensam, só sentem. Não têm Pensamentos ou ideias. “Pergunte-me o que penso, não o que eu sinto” - diz ela num dado momento ao médico que a assiste, no filme sobre a sua vida.
Eu prefiro acrescentar que hoje em dia, não se pensa muito e sente-se ainda menos. Assiste-se brutalmente à calamidade do esvaziamento de pensamentos e de sentimentos. Perdoem-me se pareço muito pessimista, mas é isso que presencio.
Há cada vez menos líderes com empatia e nervo mundial, com ideias realmente inovadoras e com missões que movam multidões. Onde estão os Gaudi, as Margaret Tatcher, os Luther King, os Gorbachev do nosso tempo? As pessoas estão cada vez mais indiferentes às dificuldades dos outros. Os famintos inebriam-se com figuras públicas que ganham rios de dinheiro por ostentarem imagens ocas. E sentem-se satisfeitos com isso.
As grandes ideias surgem do caos e do sofrimento. Os povos desenvolvem-se intelectualmente em tempos de catástrofe e da urgência de sobreviver. Não é por acaso que as épocas mais proliferas em termos culturais sejam as guerras. Quanto maior é a intensidade do abismo maior é a necessidade de criar alternativas e o poder de criação da mente humana inflama-se em busca da luz. É sofrendo que se sente...e é sentido que as ideias nascem!
Quando é tudo fácil, a mente tende a adormecer num conforto que paralisia. Nem sente...nem pensa! É urgente criar novas ideias. É urgente perceber que ainda não inventámos tudo. Hoje em dia há cada vez maiores desafios: a criminalidade cada vez mais selvagem das grandes cidades, o terrorismo aleatório e organizado, a falta de recursos naturais como o petróleo, a água; o desemprego que aumenta exponencialmente; a medicina prolongou a longevidade da vida mas também proliferam outro tipo de doenças que gastam muitos recursos aos Estados Providência e que nos fazem questionar “vale a pena viver até aos 90 anos estando prisioneiro de um corpo morto?”. Há problemas que se agigantam todos os dias, como o grande fosso entre pobres e ricos; o que fazer com a falta de saúde do nosso mundo?
Não vivemos tempos fáceis mas vivemos tempos ocos.
4 comentários:
Olá achei bastante curioso tal tema e muito bem elaborado, é realmente uma situação que vivemos e que precisamos de mudar, tem de começar em nós mesmos. é cada vez mais complicado "mudar" mentalidades exactamente porque os cérebros estão bastante acomodados mas por outro lado temos várias situações alarmantes que precisam urgentemente de algo que favorável ou vamos para o descalabro sem regresso.
Olá Sónia...é bom ouvir o teu comentário e saber que não sou só eu a pensar assim.... Ter consciência de que precisamos de fazer alguma coisa, já é importante...é o principio para não nos acomodarmos e fazermos realmente alguma coisa!
Eu estou a fazer!! Tenho um projecto de vida que considero fantástico! Mas sabem... tenho de fazer "orelhas moucas" porque se há poucos a fazer alguma coisa, muitos há a deitar abaixo... e a frase mais ouvida é sem dúvida: "não vais conseguir...não aqui neste país, não aqui com estas pessoas que não dão valor..." o mais engraçado é que as pessoas que dizem estas palavras (para mim de grande incentivo, pois ainda me dão mais força) esquecem-se que contra elas falam, porque também vivem neste país e também são "essas pessoas" então o melhor é ACREDITAR E OLHAR EM FRENTE!! E acima de tudo sou 'SURDA' :-) Adorei este texto!
Olá Ester...foi bom ouvir-te...tenho visto que de vez em quando vens ler-me! E já tinha percebido pela foto e pela tua forma de te expressares que és uma mulher diferente! Bem sei aquilo que sentes quando te dizem "não vais conseguir...não aqui neste país!". Também ouço o mesmo em relação à escrita: "acorda. Os que viveram da escrita, morreram à fome.". Sabes, durante anos desisti da escrita porque acreditei "nesses" mas hoje, acredito em mim e naquilo que sinto ser a minha missão e também não vou desistir. Gostava de saber um pouco do teu projecto. Quando quiseres, dá noticias. O meu email é: ruas.elsa@gmail.com
Beijo
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