terça-feira, 7 de fevereiro de 2012
Passei a manhã a matutar na expressão “trincar a língua” utilizada pelo Dr. Passos Coelho para afirmar que Portugal tem de cumprir o acordo da Troika... “nem que tenhamos que trincar a língua”, dizia ele! E tenho-me questionado sobre o seu significado no contexto em que ele a utilizou e por mais que tente, não vejo grande lógica.
Ora vejamos, trincar ou morder a língua utiliza-se correntemente com dois sentidos:
- o sentido prático, objetivo e direto de se morder mesmo a língua! Acontece por exemplo quando se está a falar ou a comer, há um dentinho que escorrega com maior rapidez do que a nossa língua consegue fugir e trinca-a! Ui, que dor! Ou então, acontece quando a língua e os dentes têm um encontro de primeiro grau - género empurrão nas saídas dos concertos ou de um grande jogo de futebol.
- E depois, há o sentido figurado: quando nos precipitamos a apregoar verdades como certas, que se demonstram facilmente não se verificar ou quando apostamos com demasiada veemência ou defendemos exageradamente uma posição e depois, somos obrigados a dar o braço a torcer e...mordemos ou trincamos a língua.
Dr. Passos Coelho, que sentido faz então utilizar esta expressão no contexto em que a utilizou? Desculpe mas eu não estou a entender. Se para cumprir o acordo da Troíka, nós já estamos a trincar tudo! Empregos, subsideos de férias, a educação, o sistema nacional de saúde, as reformas, o turismo, o carnaval e outros feriados...estamos esfrangalhados. Já nem os ossos nos restam para trincar! Quanto mais a língua.
Será que aquilo que o Dr. Passos Coelho queria dizer, não seria antes: Portugal tem de cumprir o acordo da Troíka, para eu não trincar a minha língua?
De qualquer forma aconselho-o a comprar um caderno de notas para preparar expressões mais adequadas e eficazes nas comunicações públicas que faz...não lhe aconteça ficar sem língua!
1 comentários:
Bom, muito bom!
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