quarta-feira, 2 de maio de 2012
Para quem já nasceu no pós-revolução 25 de Abril de 1974, a Liberdade é um conceito muito vago, inexpressivo e pouco valorizado. Pelo menos aparentemente. Quando hoje dizemos o que queremos e expressamos o que pensamos e sentimos quase sem tabus!Vamos para todo o lado, sem fronteiras, pelo menos dentro da União Europeia. Eu ainda me lembro do meu pai ter de ir à conservatória para oficializar um salvo-conduto a dar autorização para que eu pudesse ir com os meus avós, ali ao lado da fronteira, a Badajoz, a 18 quilómetros de minha casa, para ir comprar caramelos!
Lembro-me de no regresso estarmos sempre sujeitos a confiscarem-nos o carro e a termos de mostrar tudo aquilo que tinhamos comprado na vizinha Espanha. E certas ocasiões, perto do Natal, em que se exagerava um bocado na quantidade de prendas que lá se compravam, chegávamos a ter de esconder algumas coisas debaixo dos bancos e dar um pacotinho de café ao polícia na fronteira. Eu espero que com este testemunho, a Troíka hoje, não me venha pedir impostos pelas barbies, pelas barriguitas e pelos caramelos não declarados!
Hoje em dia a liberdade que possuímos para tantas coisas na vida, parece inquestionável. Casamo-nos, divorciamo-nos, votamos, criamos blogs, publicamos espontaneamente e sem medo o que nos apetece em jornais, no Facebook, em páginas na Net, gozamos publicamente com os políticos, com os governantes, despropositamos atitudes labregas de personalidades públicas e afins, fazemos declarações públicas de amor e ódio. Então, porque é que nem sempre nos sentimos livres?!?
Porque todos os dias nas nossas vidas, há coisas que simplesmente nos agrilhoam, nos impedem de sermos totalmente aquilo que somos. Porque enquanto membros de uma sociedade somos moldados e pactuamos com regras que moralmente sentimos obrigatórias apesar de não concordarmos com elas e porque para sobreviver temos de adoptar condutas que estão muito longe daquilo com que nos identificamos. Os tabus e os preconceitos continuam a existir. E porque há outros que somos nós mesmos a criá-los!
A liberdade parece não ter importância até ao momento em que por qualquer razão, nos apercebemos que a perdemos ou que corremos esse risco.
A liberdade é invisível enquanto a temos. É a oposição do termo possessão. Mas na prática, só nos sentimos livres quando a possuímos. Estranho, não é? Quando por qualquer razão nos temos de esconder por alguma coisa ou nos vemos forçados a fazer algo contrário ao que queremos, sentimo-nos presos e é aí que tomamos certas decisões por impulso. Para mais tarde, sentirmos a liberdade de as termos tomado.
E é nesse momento, que nos surge a liberdade diante dos olhos, leve como as nuvens brancas de algodão que intervalam a chuva num céu azul recortado.

3 comentários:
Sem dúvida que a liberdade é poder de decisão!
E quando os outros nos agrilhoam pressentimos que a individualidade (positiva), irmã gémea da liberdade, tem um preço. Para sustentá-la é tudo uma questão de prática.
Concordo em absoluto!!!!!
Sem maquiagem ou sem maquilagem.
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